General da ONU elogia humanismo e competência dos capacetes azuis portugueses

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Portugal tem nesta altura 210 efetivos militares destacados na RCA
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As forças especiais portuguesas destacadas para a República Centro-africana já salvaram ali milhares de vidas e são um ativo essencial numa das missões mais perigosas atualmente assumidas pelos capacetes azuis à escala mundial. Destaque de uma entrevista exclusiva ao programa Olhar o Mundo do comandante militar da MINUSCA, o tenente-general senegalês Balla Keita.

"Trouxeram uma grande mais-valia", sublinhou o oficial que antes do atual comando em Bangui foi, até 2015, o número dois da missão militar da ONU no Darfur.

"Os meus militares de Portugal estão a fazer um trabalho de tal forma maravilhoso que comecei a chamar-lhes os meus Ronaldos. Salvam vidas. Milhares de vidas. É verdade. Falo a sério. Milhares de vidas estão a ser salvas [na RCA] devido à celeridade de intervenção da Força de Reação Rápida [da MINUSCA, formada pelas forças especiais portuguesas]".

Um ano após ter defendido perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas a modificação do mandato dos capacetes azuis, de forças de manutenção de paz para forças de imposição da paz, e recebido o apoio, nesse sentido, do secretário-geral da ONU, António Guterres, o comandante militar da MINUSCA quis vir a Portugal observar o treino dos paraquedistas e comandos que Lisboa tem enviado para a missão na RCA.

"Tinha de vir ver porque é que estes militares são tão bons", afirmou durante uma entrevista exclusiva à RTP na base dos comandos na Carregueira.

"Percebi que essa tradição de treino duro para as piores condições é o que precisamos para as missões de manutenção de paz".


António Mateus, com imagens de Nuno Tavares, Paulo Jorge e Carlos Pinota e edição de João Caldeirinha - RTP

O oficial general que fez a sua formação militar no Senegal, França, Alemanha e Estados Unidos sublinhou depois a importância de a opinião pública compreender não só o valor humanista do desempenho destas forças especiais, na proteção das populações mais frágeis em cenários complicados, como a necessidade de a preparação das mesmas exigir, para lá das competências militares específicas, níveis de prestação fisica e psicológica extremos.

"Já perdemos só este ano quase 200 capacetes azuis", sublinhou. "Para onde quer que vá, na República Centro-Africana, no Mali, no Sudão do Sul, há milhares de civis que são mortos. Como é que alguém pode sentir que se trata de uma situação de manutenção de paz, quando os próprios soldados que defendem a paz estão a ser mortos, tal como as populações civis, mulheres e crianças?".

"Alguma coisa está errada e nós temos de mudar essa percepção e a forma como atuamos".

Em avaliação das forças portuguesas - comandos e paraquedistas - colocadas sob seu comando, desde 2017, Balla Keita responde sem hesitações: "Os meus Ronaldos militares estão a fazer a diferença porque têm o treino certo. Um treino duro. E assim, quando saem em missão de combate, sentem-se à-vontade. Têm um treino de tal forma elevado que quando enfrentam um ambiente difícil mantêm-se focados e disciplinados".

Portugal tem nesta altura 210 efetivos militares destacados na RCA, respectivamente nas missões da União Europeia, a EUTM (45), e das Nações Unidas, a Minusca (165).

Tópicos:

Capacetes azuis, MINUSCA, ONU, República Centro-Africana,

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