MNE brasileiro descarta que atraso de vistos dos EUA dificulte participação na Assembleia da ONU
O ministro das Relações Exteriores do Brasil descartou hoje que o atraso na emissão de vistos pelos Estados Unidos a membros da delegação que acompanhará o Presidente, Lula da Silva, à Assembleia Geral da ONU represente um obstáculo.
Questionado por jornalistas, no Rio de Janeiro, Mauro Vieira respondeu: "de forma alguma".
"Inclusive, já foram libertados alguns e os Estados Unidos, na condição de país sede da ONU, tem, pelo compromisso no acordo de sede, o compromisso de conceder esses vistos", frisou.
O Governo brasileiro afirmou na segunda-feira que ainda aguarda a emissão de vários vistos, embora não tenha detalhado quantas autoridades estão afetadas.
Fontes oficiais citadas pelo jornal O Globo afirmaram que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, um dos afetados, recebeu hoje a respetiva autorização.
O caso que mais preocupa o Brasil é o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participará numa conferência da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) paralela à Assembleia da ONU.
Os Estados Unidos cancelaram o visto de Padilha e de alguns dos seus familiares como sanção pela sua participação, como ministro da Saúde na época, na assinatura de um acordo de 2013 para a contratação de milhares de médicos cubanos.
Também na segunda-feira, as Nações Unidas consideraram "preocupante" que os Estados Unidos ainda não tenham concedido vistos à delegação brasileira que participará na 80.ª Assembleia da ONU e apelaram à atribuição dessas autorizações.
Questionado sobre os relatos feitos pela diplomacia brasileira, de que ainda não tinha os vistos atribuídos, o porta-voz de António Guterres, o secretário-geral da ONU, recordou que o Acordo de Sede entre as Nações Unidas e os EUA determina que Washington facilite a viagem de qualquer representante que visite a organização.
"Obviamente, é preocupante. Esperamos que os vistos sejam entregues", afirmou Stéphane Dujarric.
O Acordo de Sede da ONU diz que autoridades estaduais, federais ou locais não imporão nenhum impedimento ao movimento de representantes dos Estados-membros de ou para a sede central da ONU, em Nova Iorque, independentemente das relações existentes entre os Governos visitantes e o Governo dos Estados Unidos.
A 80.ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA80) arrancou no passado dia 09, iniciando-se na próxima semana, dia 23, o debate geral de alto nível com o discurso do Presidente brasileiro, Lula da Silva, como habitualmente ocorre.
O Brasil e os Estados Unidos vivem, nos últimos meses, tensões comerciais e diplomáticas sem precedentes iniciadas com a imposição de tarifas de 50% por parte dos EUA a vários produtos brasileiros.
Esta crise entrou numa nova fase mais delicada na sequência da condenação, na semana passada, a 27 anos e três meses de prisão, do ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado político de Donald Trump.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, alertou que o país responderá à condenação, uma decisão que classificou como "caça às bruxas".
"Continua a perseguição política liderada por Alexandre de Moraes [juiz relator do processo], sancionado por violar os direitos humanos, depois de ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil terem decidido injustamente prender o ex-Presidente Jair Bolsonaro", denunciou Marco Rubio no dia em que foi conhecida a condenação.