MNE do Peru reúne-se com embaixador chinês após disputa sobre porto de Chancay

MNE do Peru reúne-se com embaixador chinês após disputa sobre porto de Chancay

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Peru reuniu-se com o embaixador da China numa altura em que Lima está a contestar uma decisão judicial sobre um porto gerido por uma empresa chinesa.

Lusa /

Durante o encontro, realizado na segunda-feira, Hugo de Zela expressou ao embaixador Song Yan "os seus melhores votos ao povo e ao governo da China nesta importante celebração" do Ano Novo Lunar.

Os dois dirigentes discutiram "vários aspetos da relação bilateral, destacando o dinamismo do comércio, os projetos de cooperação em curso e os investimentos chineses no Peru", referiu o ministério, numa mensagem publicada na rede social X.

Em 11 de fevereiro, o Governo peruano prometeu recorrer de uma decisão judicial que isenta o porto de Chancay de regulação e fiscalização por parte do Organismo Supervisor do Investimento em Infraestruturas de Transporte de Uso Público.

As autoridades de Lima reiteraram que Chancay deve cumprir o enquadramento legal peruano, incluindo as normas de segurança portuária, salientando que diversas entidades públicas já operam no local e exercem funções de controlo e fiscalização previstas na lei.

Um tribunal do Peru deu razão a uma ação movida pela empresa estatal chinesa Cosco Shipping, que detém 60% das ações do porto, localizado a cerca de 80 quilómetros a norte de Lima.

O resto do capital social do porto de Chancay, com capacidade para movimentar um milhão de contentores por ano, é detido pela peruana Volcan Compañía Minera, a quarta maior produtora mundial de prata e zinco.

O terminal tem como objetivo tornar-se o principal centro logístico do comércio marítimo entre a China e a América do Sul, podendo vir a ser ligado por via ferroviária ao porto da Bahia, no Brasil, num projeto de grande escala promovido por Pequim.

Após o anúncio da decisão judicial, os Estados Unidos (EUA) alertaram que o Peru poderá ficar impedido de supervisionar o porto, que está sob controlo de "proprietários chineses predadores".

Num comunicado, o gabinete para a América Latina do Departamento de Estado norte-americana disse que Chancay é um exemplo de como "o dinheiro barato da China custa soberania".

Também o novo embaixador dos EUA no Peru considerou que a decisão representa uma perda de soberania do país a favor da China e descreveu o processo judicial como vergonhoso.

Bernie Navarro garantiu que Washington nunca pediria ao Peru "que perdesse a soberania" sobre um outro porto, Callao, onde está em curso uma operação conjunta de infraestruturas.

Na quinta-feira, a China manifestou "forte insatisfação" com as declarações dos EUA e acusou Washington de recorrer à "fabricação e difamação flagrantes" relativamente ao projeto.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Lin Jian afirmou em conferência de imprensa que Pequim "se opõe firmemente" às declarações da parte norte-americana.

PUB