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Moçambique com 363.606 deslocados internos em outubro

Moçambique com 363.606 deslocados internos em outubro

Moçambique contabilizou 363.606 deslocados internos em outubro, um aumento de 4% face à avaliação anterior, com mais de metade da população afetada composta por crianças, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Ricardo Franco - EPA

Os dados constam do relatório da 17.ª ronda da Avaliação Multissetorial de Localizações da OIM, realizada entre 14 e 28 de setembro, que identificou 363.606 deslocados internos, correspondentes a 87.201 agregados familiares, distribuídos por 213 centros e locais de acolhimento em todo o país.

Segundo o relatório, que compara dados com a 16.ª ronda de avaliação realizada em dezembro de 2025, o total representa um aumento de 4% face em menos de um ano, evolução atribuída à expansão das operações de monitorização para novas áreas das províncias de Gaza e Inhambane e à continuação dos deslocamentos associados à insegurança no norte do país.

As crianças representam 55% da população deslocada, seguindo-se as mulheres, com 26%, e os homens, com 19%. A organização estima ainda que cerca de 58.177 deslocados vivem com algum tipo de deficiência.

A província de Cabo Delgado, rica em gás e palco desde 2017 de uma insurgência armada, continua a concentrar a maior parte da população deslocada, acolhendo 205.921 pessoas em 84 locais de deslocação.

No relatório, a OIM alerta que, em 46% destes locais, a maioria dos agregados familiares não dispõe de acesso a instalações sanitárias funcionais, enquanto em 88% dos locais os deslocados não conseguem adquirir alimentos suficientes devido à falta de recursos financeiros.

A organização acrescenta que 74% dos locais avaliados em Cabo Delgado não dispõem de espaços seguros destinados a mulheres e raparigas.

Sofala surge como a segunda província com mais deslocados, totalizando 95.385 pessoas distribuídas por 34 locais de acolhimento.

Já a província de Manica acolhe 28.646 deslocados em 37 locais, sobretudo no distrito de Sussundenga. Entre as principais dificuldades reportadas destacam-se o acesso ao ensino secundário, documentação civil, serviços de saúde e energia para iluminação.

Segundo o relatório, em todos os locais avaliados em Manica a maioria dos agregados familiares tinha pelo menos um membro sem documentação civil.

Na cidade de Maputo foram identificados 1.567 deslocados em nove locais de acolhimento, enquanto a província de Maputo acolhe 4.300 pessoas deslocadas, também distribuídas por nove locais.

Em ambas as circunscrições, as necessidades mais frequentemente apontadas são o apoio financeiro, oportunidades de geração de rendimento e acesso a alimentos.

O relatório destaca ainda a situação da província do Niassa, no norte, onde o número de deslocados aumentou de 1.158 para 2.946 pessoas, crescimento associado sobretudo aos impactos das chuvas intensas e inundações registadas durante a época chuvosa 2025/26, que também afetaram, da mesma forma, as províncias de Gaza e Maputo, no sul.

A nível nacional, a OIM conclui que as necessidades mais urgentes da população deslocada continuam a ser assistência financeira, meios de subsistência e alimentação.

A organização defende o reforço do acesso à água potável, saneamento, saúde, nutrição e educação, bem como da proteção de mulheres, crianças e pessoas com deficiência, numa altura em que Moçambique continua a enfrentar os efeitos combinados dos conflitos armados, fenómenos climáticos extremos e deslocações prolongadas de populações.

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