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Moçambique com primeiro centro de formação em artes de circo e aulas gratuitas

Moçambique com primeiro centro de formação em artes de circo e aulas gratuitas

O primeiro centro de formação em artes de circo de Moçambique prevê iniciar aulas, gratuitas, em fevereiro de 2027, em Maputo, com cursos para palhaço, de malabarismo ou acrobacia, incluindo atividades adaptadas a pessoas com deficiência.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O Centro das Artes de Circo de Maputo (CACMA), criado pelo artista Dimas Tivane, está a ser construído no bairro de Tsalala e tem cerca de 60% das obras concluídas. O lançamento oficial do projeto está previsto para 31 de outubro, para dar a conhecer o espaço e as atividades, avançou à Lusa o criador do projeto.

 "A ideia deste centro é de formar novos artistas, gente que esteja interessada no circo, que até hoje só tem as curiosidades sobre a prática do circo", disse Dimas Tivane, explicando que o espaço pretende também acolher artistas que já praticam a modalidade, mas que não dispõem de instalações adequadas.

A formação deverá abranger malabarismo, acrobacia no solo, fio de ferro, tecido acrobático, monociclo e palhaçaria, além de dança e música. O centro prevê três professores permanentes, com um percurso de cerca de quatro anos para os interessados em seguir uma carreira profissional e módulos de duração variável para os restantes participantes.

O projeto pretende acolher crianças, adolescentes, adultos, idosos e pessoas com deficiência, sem exigir experiência prévia.

 "Uma das particularidades é que é um centro que será gratuito para todas as pessoas que se interessam pela prática do circo", afirmou o diretor, que defende a adaptação das atividades a diferentes condições físicas e mentais.

Tivane vive em França há sete anos e acumulou uma experiência no circo ao longo de 15 anos, que pretende aplicar no desenvolvimento da formação em Moçambique, promovendo também o intercâmbio entre artistas nacionais e estrangeiros.

A estrutura principal está construída, mas faltam compartimentos como dormitórios, balneários, sanitários e salas de espetáculos.

"O grande desafio para a construção deste centro é que, até então, todo o investimento do centro cultural é um investimento próprio", afirmou, apelando ao apoio financeiro para concluir as instalações e criar condições para receber artistas e alunos.

A Associação Inclusão é, até ao momento, o principal parceiro do projeto e, segundo Tivane, parte das receitas das entradas do Festival Maputo em Circo, realizado em 23 de outubro, será destinada à conclusão das obras.

O responsável acrescentou que continua à procura de outros parceiros para financiar o centro, sendo que o início da obra até então saiu direto de "fundo pessoal".

O festival resultou de uma colaboração entre o CACMA e a Associação Inclusão e contou com a participação prevista de mais de 10 artistas internacionais, provenientes de países como França, Itália e Brasil.

Contudo, Tivane apontou dificuldades administrativas relacionadas com a entrada dos convidados no país, incluindo multas, entre os constrangimentos enfrentados na organização do evento.

Acrescentou que há artistas moçambicanos que aguardam a abertura do centro para poderem treinar, face à falta de espaços com altura, pavimento e estruturas de suporte adequados à prática do circo. O responsável pretende também realizar oficinas em bairros, escolas e espaços públicos para divulgar esta expressão artística e aproximar novos participantes da modalidade.

No âmbito das atividades de divulgação do projeto, cerca de 30 alunos da Escola Comunitária 4 de outubro, na cidade de Maputo, participaram numa oficina de circo, depois de terem sido convidados pela organização. Os participantes não estão inscritos no centro, uma vez que as inscrições ainda não começaram.

 "Participar nesta oficina é muito bom. Há muita aprendizagem", disse à Lusa Shelton, aluno da 12.ª classe, que destacou o malabarismo entre as atividades de que mais gostou e manifestou vontade de se inscrever quando o centro abrir.

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