Moçambique e Angola entre os "leões africanos" que mais vão crescer até 2023
Londres, 26 fev (Lusa) - Moçambique é o país da África subsariana que mais vai crescer na próxima década, prevê a consultora Business Monitor International no relatório sobre os `African Lions`, que inclui também Angola na lista dos dez países mais promissores.
No relatório, a que a Lusa teve acesso, os consultores britânicos estimam que o Produto Interno Bruto da África subsariana cresça, em termos reais, a uma média de 5,5% ao ano até 2023, o que contrasta com os 5,4% da Ásia e Pacífico excluindo o Japão, os 4,3% do Médio Oriente e Norte de África, os 3,9% da América Latina e os 3,5% dos países emergentes na Europa.
"Esta perspetiva risonha levou os observadores a cunharem o termo `Leões Africanos` que, tal como os `Tigres Asiáticos`, mostram economias que estão a passar por períodos de rápido crescimento e grande interesse dos investidores", lê-se no relatório da BMI, uma consultora baseada em Londres e com escritórios em Nova Iorque, Singapura e África do Sul.
Os dez países escolhidos, ordenados pelo nível de crescimento previsto para a próxima década, são: Moçambique, Tanzânia, Costa do Marfim, Uganda, Nigéria, Zâmbia, Angola, Gana, Quénia e Etiópia.
O relatório afirma, no entanto, que um rápido crescimento não é sinónimo de resolução das desigualdades ou de melhoria no nível de vida dos cidadãos, alertando que "muitos países africanos virem os níveis de pobreza estagnar enquanto o crescimento económico acelerava, o que é o caso quando o desenvolvimento económico está concentrado em indústrias de capital intensivo que tendem a ser dominadas por mão-de-obra expatriada; Angola é um exemplo devido ao setor do gás e petróleo", nota o documento.
"A justaposição do rápido crescimento com a continuada pobreza e os baixos níveis de vida fomenta o descontentamento e o risco político associado; falar de um `boom` económico pode ser perigoso. O governo pode desempenhar um papel vital na redistribuição do rendimento, mas esta tarefa não é fácil, especialmente quando as exigências de melhores infraestruturas sociais começam a ser mais ouvidas", lê-se no documento que analisa os dez países africanos que mais vão crescer na próxima década.
O texto de 54 páginas que analisa as dez economias mais promissoras em África explica também os critérios de escolha (todos os países têm de valer mais que 10 mil milhões de dólares, ter mais de 40 pontos em 100 possíveis na análise sobre o Risco do País e 30 em 100 na análise sobre o ambiente empresarial, sendo estes dois últimos itens baseados em mais de 11 critérios) e sublinha que todas estas economias vão mais que duplicar de tamanho em termos de PIB nominal.
O crescimento, ainda assim, acarreta perigos: "a maioria dos Leões Africanos vai incorrer em défices orçamentais significativos e resultados negativos na balança corrente", para além de estarem expostos aos choques que "inevitavelmente vão ocorrer de tempos a tempos", por falta de escapatórias em termos de diversificação da economia.
Moçambique e Angola estão dependentes do gás e do petróleo, e por isso mais expostas às variações internacionais, exemplifica o relatório.