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Moçambique entre principais países de origem de pangolins no comércio ilegal

Moçambique entre principais países de origem de pangolins no comércio ilegal

Moçambique é apontando como um dos principais países de origem de pangolins comercializados ilegalmente na China e Vietname, uma lista que inclui outras nove nações africanas, indica um relatório internacional a que a Lusa teve hoje acesso.

Lusa /

"Os supostos países de origem [dos animais] incluíram nove nações africanas, nomeadamente Camarões, República Democrática do Congo, Etiópia, Guiné Equatorial, Gana, Maláui, Moçambique, Nigéria e África do Sul, representando um total estimado de 42.527 pangolins em 25 incidentes, ou seja, 97% de todos os pangolins apreendidos na China", lê-se no relatório "Estado de Conservação, Comércio e Esforços de Fiscalização para Pangolins", da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES, na sigla em inglês).

Segundo o relatório, um total de 553.042 pangolins foram apreendidos no comércio ilegal em todo o mundo, entre 2016 e 2024, num total de 2.222 apreensões da espécie e suas partes realizadas em 49 países.

No relatório refere-se ainda que as apreensões feitas em 10 países correspondem a 96% de todos os pangolins apreendidos nos oito anos, sendo a China e o Vietname apontados como os principais destinos e os países africanos as principais fontes.

 "Com base nos dados disponíveis, pelo menos 74 países foram identificados como envolvidos no comércio ilegal de pangolins, que envolveu pelo menos 178 rotas comerciais únicas", indica-se ainda no documento.

De acordo com a CITES, Moçambique informou que não há ainda dados suficientes para determinar as tendências populacionais do pangolim nos últimos cinco anos, mas os gestores das áreas de conservação relatam "populações estáveis, embora não haja dados em que basear esta conclusão".

"A autoridade de gestão da CITES de Moçambique determinou, em última instância, que, devido à perda de habitat, caça furtiva e tráfico, a espécie está provavelmente em declínio", refere-se no relatório, acrescentando-se que as taxas de detenção, em casos de tráfico, foram baixas comparadas a outros países da África Austral.

"Devem ser envidados esforços para compilar locais de observação georreferenciados e confirmar o estado da espécie no país", lê-se ainda.

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), centro de Moçambique, recuperou 160 pangolins em oito anos, retirando-os da rota do tráfico e de alimentarem crenças locais de "sorte", explicou à Lusa o administrador daquela área de conservação.

"No nosso país existem pessoas que acreditam que quem tiver uma peça de pangolim vai ter muita sorte, então as pessoas dentro do país acabam tendo esses animais para esses fins, mas o maior número de entrevistados diz que é para vender para um patrão", referiu Pedro Muagura, administrador do PNG.

O pangolim tem a particularidade de ser o único mamífero terrestre totalmente coberto por escamas e a sua presença é cada vez mais rara.

O administrador estima que existam pelo menos 300 pangolins no Parque Nacional da Gorongosa, mas esclarece que não são números oficiais porque é "difícil fazer um inventário" da espécie, que muitas vezes está escondida e é ativa à noite.

Em 21 de fevereiro assinalou-se o Dia Mundial do Pangolim, com as autoridades moçambicanas de conservação a alertarem para a urgência de proteger "uma das espécies mais traficadas do mundo" e para a sua importância para o equilíbrio do ecossistema.

As autoridades moçambicanas confiscaram, só entre 2019 e 2020, um total de 33 pangolins e detiveram vários moçambicanos e estrangeiros envolvidos no tráfico, segundo os últimos dados da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

Moçambique tem em vigor uma lei de conservação da biodiversidade com penas que podem atingir os 16 anos de prisão e multas diversas para os mandantes, caçadores, traficantes, entre outros intervenientes no negócio ilegal de produtos da vida selvagem.

De acordo com dados avançados pela ANAC em 2021, na região da África Austral estima-se que cerca de 50 mil pangolins são abatidos por ano para comercialização ilegal, chegando a superar o marfim e o corno de rinoceronte.

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