EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Moçambique. Número de deslocados duplicou para 93 mil nos últimos dias

Moçambique. Número de deslocados duplicou para 93 mil nos últimos dias

Quase 93 mil pessoas fugiram em Cabo Delgado e Nampula devido ao recrudescimento dos ataques terroristas no norte de Moçambique, duplicando o número de deslocados em poucos dias, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Lusa /

De acordo com o mais recente relatório do terreno daquela agência das Nações Unidas, consultado hoje pela Lusa, entre 22 de setembro e 13 de outubro a "escalada de ataques e a insegurança provocada por grupos armados" levou a "novos deslocamentos" - num total de 92.792 pessoas, equivalente a 25.476 famílias - essencialmente nos distritos de Balama, Mocímboa da Praia, Montepuez e Chiúre, Cabo Delgado, mas também em Memba, província de Nampula.

No relatório anterior, com dados de 22 de setembro a 06 de outubro, a OIM apontava 39.643 deslocados, equivalente a 12.335 famílias, sensivelmente nos mesmos distritos.

A OIM contabilizou neste período de menos de três semanas um total de 28.401 deslocados de Mocímboa da Praia, devido à situação de "insegurança" nos bairros 30 de Junho e Filipe Nyusi, arredores de vila sede, palco de pelo menos dois ataques de grupos insurgentes, com vários mortos, durante o mês de setembro, e várias incursões.

No distrito de Balama os dados da OIM apontam para 5.629 deslocados, em Montepuez 4.049, em Mecufi 7.497, em Metuge 6.238 e em Ancuabe 4.079.

No distrito de Chíure - que já em finais de julho registou cerca de 57.000 deslocados devido aos vários ataques de grupos armados de então - há mais 10.221 deslocados nos últimos dias, segundo a OIM.

Além destes distritos de Cabo Delgado, o relatório da OIM refere que os "recentes ataques" em Memba, Nampula - com registo de 51 casas e pelo menos duas escolas e um igreja destruídas -, junto à província vizinha, "também forçaram 39.982 indivíduos a fugirem das aldeias de Chipene e Necoro", neste caso para o distrito de Erati.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques terroristas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito da Mocímboa da Praia.

Oito anos após esse primeiro ataque, o Governo afirmou este mês que continua a fazer esforços para garantir a segurança às populações e bens para que estas comunidades permaneçam nos seus lugares de origem em paz.

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, considerou também este mês como "atos bárbaros" e contra a "dignidade humana" os ataques terroristas no norte do país.

O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6.257 mortos ao fim de oito anos de ataques terroristas em Cabo Delgado, alertando para a instabilidade atual, com o recrudescimento da violência.

"A situação é bastante instável. Em setembro, o Estado Islâmico de Moçambique (ISM) estava ativo em 11 distritos de Cabo Delgado e também cruzou para Nampula no final do mês", disse à Lusa Peter Bofin, investigador da ACLED.

Segundo o investigador sénior da organização, que reúne e analisa dados sobre conflitos violentos e protestos em todo o mundo, desde outubro de 2017 foram registados em Cabo Delgado pelo menos "2.209 eventos de violência", com "6.257 mortes relatadas", sendo pelo menos 2.631 civis.

Tópicos
PUB