Moçambique. Pelo menos 4.445 pessoas fugiram de ataques entre setembro e outubro

Moçambique. Pelo menos 4.445 pessoas fugiram de ataques entre setembro e outubro

Pelo menos 4.445 pessoas fugiram entre setembro e outubro de várias localidades da província moçambicana de Cabo Delgado devido a ataques de grupos insurgentes armados, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: D.R.

De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM, os movimentos populacionais ocorreram entre 21 de setembro e 02 de outubro nos distritos de Nangade, Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia, envolvendo 4.445 pessoas, correspondentes a 1.493 agregados familiares.

Segundo a organização, as deslocações foram desencadeadas por ataques e pelo receio de novos ataques perpetrados por grupos armados não estatais, com os maiores movimentos registados na localidade de Nambedo, distrito de Nangade, de onde saíram 2.682 pessoas, seguindo-se Chai, em Macomia, com 569 deslocados, e Miengueleua, em Muidumbe, com 370.

A maior parte da população deslocada foi registada em Nangade, que acolheu 3.041 pessoas, equivalente a 68% do total, incluindo 2.307 deslocados instalados em Nambedo e 734 que seguiram para o Centro de Muadi, na localidade de Mualela.

No distrito de Macomia foram registadas 1.174 chegadas, sobretudo no Centro de Nondje, em Muagamula, que acolheu 815 pessoas, seguindo-se os centros de Xinavane, Serração e Songueia.

No relatório refere-se ainda a deslocação de 156 pessoas para o distrito de Mueda, 48 para comunidades de acolhimento em Namacande, distrito de Muidumbe, e 26 provenientes de Mocímboa da Praia para a localidade de Mpeme, em Mueda.

A maioria dos deslocados fez o percurso a pé ou de autocarro, incluindo 691 homens, 1.364 mulheres e 2.390 crianças, que representam 54% do total da população afetada.

A OIM identificou ainda 85 mulheres grávidas, 73 idosos com mais de 60 anos, 31 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias, 31 pessoas com deficiência e 10 pessoas com doenças crónicas entre os deslocados.

Segundo o levantamento, a duração do deslocamento permanece incerta, enquanto alimentação, abrigo e bens não alimentares constituem as necessidades mais urgentes da população afetada.

Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhões de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Os incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.

A conclusão consta do relatório "Moçambique: O custo da inação", divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, "nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025", incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.

"Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos", refere a ONU.

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