Moçambique. PGR admite desafios no exercício da ação penal em Cabo Delgado
A procuradora-geral adjunta de Moçambique, Amabelia Chuquela, admitiu hoje desafios no exercício da ação penal em Cabo Delgado devido aos ataques terroristas na província do norte desde 2017.
"É uma situação complicada. Estamos naturalmente a enfrentar desafios, principalmente na recolha de elementos de prova", disse à Lusa Amabelia Chuquela, à margem de um evento público em Maputo.
Apesar dos desafios, prosseguiu Amabelia Chuquela, o exercício da ação penal em Cabo Delgado é fundamental: "Qualquer situação de conflito é complicada. Mas os magistrados têm de estar preparados para atuar em contextos de conflitos armados".
A província de Cabo Delgado enfrenta há seis anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico. Depois de uma ligeira acalmia em 2023, estes ataques multiplicaram-se nas últimas semanas, criando cerca de 100 mil deslocados só em fevereiro, além de um rasto de destruição, morte e famílias desencontradas.
Esta insurgência levou a uma resposta militar desde julho de 2021, com o apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região.
Depois de um período de relativa estabilidade, uma nova vaga de ataques em direção ao sul de Cabo Delgado começou a ser registada há algumas semanas e têm obrigado milhares de pessoas a abandonarem as suas aldeias, principalmente no distrito de Chiùre, em direção a pontos considerados seguros em Cabo Delgado ou Nampula, província vizinha.
Desde 2017, o conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com as agências das Nações Unidas, e cerca de quatro mil mortes, indicou o Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês).