Moçambique. Supostos insurgentes raptam menores em Mueda
Duas crianças foram raptadas na aldeia de Ntuchi, distrito de Mueda, província moçambicana de Cabo Delgado, disseram hoje à Lusa fontes locais, que atribuem a autoria a grupos insurgentes que atuam na região.
Os raptos, segundo as fontes da comunidade remota no norte de Moçambique, ocorreram em 16 de outubro na zona baixa da aldeia, limite com a comunidade de Saba Saba, no distrito de Muidumbe, quando os menores participavam numa atividade produtiva com os familiares.
A situação provocou a fuga dos camponeses e deixou a comunidade em alerta.
"Algumas pessoas fugiram por medo e foi chamada a intervenção da Força Local", disse uma fonte, a partir de Mueda.
A Força Local foi solicitada a intervir, mas até ao momento não foram encontradas as crianças.
"Houve trabalho lá na baixa, mas até então não sabemos o paradeiro dos meninos", disse outra fonte.
Após o sucedido, foi deslocado um contingente militar para reforçar uma posição na aldeia de Mpeme, a cerca de cinco quilómetros de Ntuchi.
Pelo menos 5.794 pessoas fugiram entre 21 de setembro e 13 de outubro de várias localidades da província moçambicana de Cabo Delgado devido a ataques de grupos insurgentes armados, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM, os movimentos populacionais envolveram 5.794 pessoas, correspondentes a 1.785 agregados familiares, nos distritos de Nangade, Macomia, Muidumbe, Mocímboa da Praia, Montepuez e Mueda.
Segundo a organização, as deslocações foram desencadeadas por ataques e pelo receio de novos ataques perpetrados por grupos armados não estatais e a maioria dos deslocados fez o percurso a pé ou de autocarro.
Cabo Delgado, província rica em gás natural no norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência, armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.
Os incidentes associados ao conflito na província moçambicana aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período de 2025, com os raptos, incluindo de crianças, a serem cada vez mais utilizados para obtenção de resgates e recrutamento forçado.
A conclusão consta do relatório "Moçambique: O custo da inação", divulgado em setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.
Segundo o documento, "nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025", incluindo homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas sofrem consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.
"Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos", refere a ONU.