Mundo
Monkeypox. OMS declara emergência de saúde pública de preocupação internacional
A Organização Mundial da Saúde emitiu este sábado o nível mais elevado de alerta para tentar conter o surto de Monkeypox, que afetou quase 17 mil pessoas em 74 países, anunciou o diretor-geral da organização.
Em conferência de imprensa, Tedros Adhanom Ghebreyesus especificou que o risco é, nesta altura, mais elevado na Europa do que no resto do mundo.
A designação de "Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional" por parte da OMS tem por objetivo fazer soar os alarmes sobre a necessidade de uma resposta internacional coordenada a uma doença ou surto, alertando para a necessidade de financiamento e esforços globais na partilha de vacinas e tratamentos.
"Temos um surto que se está a espalhar rapidamente à volta do mundo sobre o qual sabemos muito pouco", assumiu o diretor-geral da OMS.
Na quinta-feira, os membros de um comité de especialistas não conseguiram chegar a um consenso para aprovarem esta recomendação. Tedros Adhanom Ghebreyesus confirmou este sábado que o seu voto foi decisivo para uma resolução concreta.
Nove membros do comité de especialistas votaram contra a designação e outros seis votaram a favor. O diretor-geral da OMS acabou por optar pela declaração do mais elevado nível de alerta.
A decisão de Ghebreyesus contra a opinião maioritária ficou a dever-se às preocupações com o número crescente de casos em países sem registo prévio de infeções e à escassez de vacinas e tratamentos.
"Sei que este não foi um processo fácil ou simples e que existem pontos de vista divergentes entre os membros", referiu Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao recordar que, atualmente, o surto concentra-se sobretudo em "homens que fazem sexo com homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros sexuais".
Isso significa que se trata de um surto que "pode ser travado com as estratégias certas nos grupos certo", salientou o responsável da OMS, alertando que o "estigma e discriminação podem ser tão perigosos como qualquer vírus".
Isso significa que se trata de um surto que "pode ser travado com as estratégias certas nos grupos certo", salientou o responsável da OMS, alertando que o "estigma e discriminação podem ser tão perigosos como qualquer vírus".
Está é a sétima vez que a OMS declara a emergência internacional (mecanismo iniciado em 2005), depois de o ter feito para a Gripe A em 2009, para o Ébola em 2014 e 2018, para a Poliomielite em 2014, para o vírus Zika em 2017 e para o coronavírus que provoca a covid-19 em 2020, este último ainda em vigor.
Declaração serve para alertar países, diz especialista
De acordo com os últimos dados da Direção-Geral da Saúde DGS), Portugal totaliza 588 casos confirmados de infeção pelo vírus Monkeypox.
Segundo a DGS, uma pessoa que esteja doente deixa de estar infecciosa apenas após a cura completa e a queda de crostas das lesões dermatológicas, período que poderá, eventualmente, ultrapassar quatro semanas.
Os sintomas mais comuns da doença são febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, cansaço, aumento dos gânglios linfáticos com o aparecimento progressivo de erupções que atingem a pele e as mucosas.
Os sintomas mais comuns da doença são febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, cansaço, aumento dos gânglios linfáticos com o aparecimento progressivo de erupções que atingem a pele e as mucosas.
Em declarações à Antena 1, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Gustavo Tato Borges, diz que a intenção da OMS é precisamente alertar de forma séria para esta doença que não tem tido a atenção devida.
O perito diz que este também é um aviso para Portugal para que não negligencie a doença. Apesar de ser menos transmissível que a covid-19, poderá levar a uma eventual sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde.
As medidas de combate a nível mundial tem sido sobretudo comunicacional e OMS pretende, com esta decisão, alertar que as medidas até agora aplicadas não são suficientes.
c/ Lusa