Morreu a senadora espanhola Rita Barberá

Rita Barberá, senadora e ex-presidente da Câmara de Valência, morreu na madrugada desta quarta-feira, vítima de enfarte. O corpo foi encontrado no hotel Villa Real, a poucos metros do Congresso de Deputados de Madrid. Barberá encontrava-se sob investigação por corrupção e branqueamento de capitais, tendo comparecido na segunda-feira perante o Supremo Tribunal.

RTP /
Enrique Calvo - Reuters

Os serviços de emergência espanhóis terão recebido uma chamada da irmã da senadora espanhola às 7h00 (hora local). Durante mais de 30 minutos praticaram manobras de reanimação, tendo por fim declarado o óbito por paragem cardiorrespiratória. Barberá tinha 68 anos.

María Dolores de Cospedal, ministra espanhola da Defesa, que em várias ocasiões polémicas defendeu Barberá, assim como Ingnacio Zoido, ministro do Interior, foram algumas das figuras que se dirigiram ao hotel esta manhã.

Esta terça-feira Barberá não participou na primeira sessão de controlo do novo Governo que se celebrava no Senado, tendo comunicado ao Partido Popular (PP) que se “sentia indisposta”.
Figura central do PP
Nascida em 1948 numa família burguesa, Barberá militou no Partido Reforma Democrática (RD) até se tornar membro do Comité Executivo Nacional do Partido Popular, aos 35 anos. Passou assim a representar uma figura central do PP, que até então não conseguia afastar o panorama político valenciano da influência da esquerda.
Berberá foi também deputada nas Cortes Valencianas, presidente da Câmara de Valência e presidente da Federação Espanhola de Municípios e Províncias.
O seu peso crescente na política desde 1991 veio consolidar o poder do PP de Valência e levou a que Eduardo Zaplana, Presidente da Comunidade Valenciana entre 1995 e 2002, conseguisse finalmente ultrapassar o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Atualmente era senadora no Grupo Mixto no Parlamento, tendo abandonado o cargo de líder do PP em setembro deste ano.

A sua última legislatura foi marcada por uma perda de influência originada por processos judiciais polémicos, terminando assim a era de imbatibilidade nas urnas.
Suspeitas de corrupção
A “Operação Taula” tem procurado investigar o mais recente caso de corrupção em que Barberá esteve envolvida. Foram detidas 24 pessoas acusadas de atividades suspeitas na administração provincial de Valência, gerida pelo PP.

A ex-líder do Partido Popular teve de entregar o seu passaporte e depor perante o Supremo Tribunal na segunda-feira, estando sob investigação por suspeita de branqueamento de capitais.



Perante o juiz, Barberá afirmou desconhecer que o grupo municipal popular utilizava duas contas correntes. Reconheceu apenas ter doado mil euros ao partido para a campanha eleitoral, assegurando que a quantia não lhe foi devolvida, ao contrário do que afirma o juiz do caso Taula.

A senadora tinha já estado envolvida em outros casos de corrupção. Saiu ilesa do “Caso Nóos”, iniciado em 2010, assim como do procedimento aberto na Empresa Metropolitana de Águas Residuais (Emarsa).
“Esta notícia é muito dura”
O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, veio já apresentar condolências pela morte de Barberá e afirma ter falado com a senadora antes da declaração judicial desta semana. “Conheci-a na década de 1980 e em 1991 negociámos a candidatura à presidência de Valência”, afirmou esta quarta-feira no Congresso de Deputados. “Esta notícia é muito dura”.

“Rita Barberá dedicou a sua vida a Valência, foi Presidente da Câmara durante 24 anos e muitas vezes elegida por maioria absoluta. Dedicou toda a sua vida ao Partido Popular”, declarou.



Ana Pastor, presidente do Congresso de Deputados, pediu um minuto de silêncio pela morte de Barberá. Os representantes da coligação Unidos Podemos não participaram, no entanto, neste pedido.

Outras reações negativas têm já sido manifestadas por diversos cidadãos nas redes sociais. “Quando fizerem um minuto de silêncio no Congresso por todos os que se suicidaram devido à crise, façam-no por Rita Barberá” ou “Rita Barberá não merecia morrer. Merecia ir para a cadeia. Aí sim já podia morrer e ir para o inferno” são algumas das reações.



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