Morreu Amélia Araújo, combatente da independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau

Morreu Amélia Araújo, combatente da independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau

A combatente da luta pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau Amélia Araújo morreu hoje na capital cabo-verdiana, aos 92 anos, vítima de doença prolongada, anunciou a Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP).

Lusa /

Num comunicado, a associação lamenta a morte de "uma figura incontornável da luta pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau", sublinhando que Amélia Araújo ocupava um "lugar único na história da Rádio Libertação, onde construiu uma obra de referência no combate ao colonialismo".

A associação recorda que Amélia Araújo fez da rádio o centro da sua criação e influência, coordenando programas, produzindo conteúdos e transmitindo mensagens tanto à população quanto aos soldados portugueses.

"Com a sua voz clara e a perspicácia do seu desempenho como produtora, animadora e locutora principal, conseguiu fazer da Rádio Libertação, uma importante arma de luta pelas independências da Guiné e de Cabo Verde. A sua contribuição foi tão importante quanto a ação armada e mesmo indispensável para o seu sucesso", acrescentou a associação.

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, também lamentou a morte de Amélia Araújo, considerando-a "uma das figuras mais elevadas da (...) história de luta e resistência".

"Presto homenagem à combatente, que se armou até aos dentes, literalmente, para, por palavras, lutar contra a subjugação e deu tudo de si para a reconstrução de Cabo Verde no pós-independência. Deixados à nossa sorte, os alicerces do desenvolvimento durável só seriam possíveis graças ao empenho e à generosidade desses briosos jovens das décadas de 60 e 70 e cabouqueiros da República", declarou o chefe de Estado.

José Maria Neves sublinhou que a melhor forma de homenagear Amélia Araújo é continuar a consolidar as liberdades e a democracia, bem como a catalisar a transformação socioeconómica de Cabo Verde, visando a prosperidade e a justiça social.

Amélia Araújo, filha de pai cabo-verdiano e mãe angolana, nasceu em Angola em 1933.

Fez os estudos primários e secundários no país e seguiu para Portugal para prosseguir o ensino superior.

Juntamente com o marido, José Eduardo de Figueiredo Araújo, dirigente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), "participou ativamente" na luta armada e na mobilização da população através de programas de rádio que denunciavam a política colonial e incentivavam os combatentes.

Em junho de 1961, após a evasão de 60 africanos de Portugal para se juntarem às lutas de libertação em África -- evento conhecido como a "Fuga dos 60" --, Amélia fugiu com a filha de apenas três meses para se juntar a nacionalistas angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos e são-tomenses já reunidos em França.

Três anos depois, Amélia Araújo conheceu Amílcar Cabral, que a mobilizou para se juntar ao PAIGC e à luta pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

Começou a trabalhar diretamente com Cabral no secretariado do partido em Conacri, e, em 1966, juntamente com mais quatro companheiros guineenses, foram enviados por Amílcar Cabral para uma formação de nove meses na União Soviética.

Após a independência nacional, Amélia Araújo assumiu funções públicas em Cabo Verde e, em 2015, foi condecorada com o Primeiro Grau da Medalha pelo Governo de Cabo Verde.

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