Morreu Bob Denard, antigo mercenário

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O antigo mercenário francês Bob Denard, que liderou revoltas e golpes de Estado em África, morreu sábado na sua casa, em Bordéus, informou hoje a família.

Bob Denard, 79 anos, sofria há vários anos da doença de Alzheimer e de problemas cardiovasculares que em 2006 lhe permitiram ser dispensado de assistir ao seu julgamento pela organização de um golpe de Estado nas Comores em 1995.

Outrora o mais conhecido mercenário francês, Bob Denard, cujo verdadeiro nome era Gilbert Bourgeaud, esteve envolvido em revoltas, resistência e golpes de Estado em dezenas de países, entre os quais Angola, onde em 1975 apoiou a UNITA de Jonas Savimbi.

Depois de cerca de 40 anos, Denard foi julgado em vários tribunais franceses e condenado, a penas de prisão de cinco anos, nos casos do golpe nas Comores (1995) e da tentativa de golpe de Estado no Benin (1977).

Bob Denard nasceu em 1929 em Bordéus, filho de um militar com experiência nas colónias francesas em África, e tinha apenas 16 anos quando participou pela primeira vez numa acção armada, ao juntar-se à resistência francesa contra a ocupação alemã durante a II Guerra Mundial.

Alistou-se depois no exército, onde permaneceu até 1952 e ao serviço do qual passou pela Indochina, Argélia e Marrocos, e, a partir dos anos 1960, participou em várias operações dos serviços secretos franceses em conflitos pós-coloniais.

É conhecido, por exemplo, o seu envolvimento no movimento secessionista de Katanga, no Congo Belga (1960-63), e contra os republicanos do Iémen apoiados pelo regime egípcio de Nasser (1963-64). Cabinda, Nigéria e Rodésia (actual Zimbabué) são outros dos territórios em que Bob Denard integrou ou liderou acções armadas.

A sua acção mais prolongada foi contudo nas Comores, onde chegou logo após a proclamação da independência, em Setembro de 1975, deteve o Presidente Ahmed Abdallah e substituiu-o por Ali Soilih.

Três anos depois regressou para depor o regime de Soilih e substituí-lo por Abdallah, sendo nomeado chefe das forças Armadas e instalando-se no território, onde nos anos seguintes se dedicou à criação de uma guarda presidencial pretoriana de 600 homens, dirigida por oficiais europeus.

Em 1989, o Presidente das Comores é assassinado em circunstâncias não esclarecidas e Denard, que dias depois acaba por ser retirado do território por um comando de pára-quedistas franceses, ainda promove a subida ao poder de Mohamed Tako Abdulkarim.

Em Setembro de 1995, Denard volta às Comores e, com um grupo de três dezenas de homens, derruba o Presidente em exercício, Said Mohamed Djohar.


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