Morreu Isaac Kaduri, o mais antigo e venerado cabalista judeu

O rabi Yitzhak Kaduri, o mais antigo e venerado cabalista judeu, morreu hoje em Jerusalém vítima de pneumonia com uma idade estimada entre os 104 e os 106 anos, informaram fontes médicas.

Agência LUSA /

O rabino foi hospitalizado há duas semanas no hospital Bikur Holim, situado nas imediações do bairro ultra-ortodoxo de Mea Shearim de Jerusalém.

Kaduri, cuja fama atingiu as comunidades judaicas do mundo inteiro, era um estudioso da Cabala, o conjunto das doutrinas e dos preceitos do misticismo judaico.

Segundo a tradição judaica, a Cabala é tão complicada e perigosa que só judeus com mais de 40 têm acesso a ela.

Originário do Iraque, Kaduri chegou muito jovem à Palestina, quando esta ainda estava sob domínio britânico, onde, na sequência de estudos em diversas escolas talmudistas (estudo do Talmude, antiga colecção de leis, preceitos, tradições e costumes judaicos), se impôs como grande mestre da Cabala.

Nunca publicou uma obra, mas era conhecido pelo seu imenso saber no domínio místico judaico.

Adepto de uma vida austera, viveu muito tempo do seu ofício de encadernador. O único luxo que lhe foi conhecido, e nos últimos anos, era o de fumar cigarros estrangeiros.

A crença popular atribuía-lhe poderes mágicos, nomeadamente a cura de doentes. Os fiéis tocavam na sua porta para obter benesses.

O magnetismo exercido pelo rabi nos meios tradicionalistas e religiosos foi explorado com sucesso pelo partido ultra-ortodoxo nas eleições israelitas de 1996.

Na sequência de diferendos com o partido ultra-ortodoxo, o rabi fundou a sua própria formação política para disputar as eleições legislativas de Janeiro de 2003, tendo percorrido Israel em campanha eleitoral num veículo semelhante ao Papamóvel.

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