Morreu Maricarmen, a espanhola que desencadeou as manifestações pelo direito à habitação

Morreu Maricarmen, a espanhola que desencadeou as manifestações pelo direito à habitação

A espanhola de 87 anos desencadeou uma onda de solidariedade quando foi despejada da sua casa por um fundo imobiliário, tornando-se o rosto de uma série de manifestações pelo direito à habitação.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: AFP (arquivo)

(em atualização)

Aos 87 anos e nove dias depois de levar melhor sobre a quarta tentativa de despejo no mesmo ano, a idosa, que tinha um grau de incapacidade de 50%, acabou por morrer no Hospital Gregorio Marañón, em Madrid, onde estava internada.

"Embora tenha sido alcançado um acordo histórico que lhe teria permitido regressar a casa, esta solução chegou demasiado tarde. (…) Ficamos com o exemplo de luta e o legado que deixou. E, acima de tudo, cumpriremos o que ela nos pedia: ‘lutem e continuem a lutar pelo que é vosso’", refere o Sindicato dos Inquilinos, em comunicado.

A história de Maricarmen Abascal gerou uma onda de contestação contra a política e a crise da habitação em Espanha.

Após cinco dias de protestos na capital espanhola e mais de quatro horas de reuniões entre os envolvidos nas negociações, foi anunciada, a 28 de setembro, o acordo de fazer regressar Maricarmen à sua casa no Parque do Retiro, de onde havia sido despejada.

De acordo com o contrato estabelecido, os 500 euros de renda que pagava estavam sujeitos a alterações desde 2005, iniciando toda a disputa legal, que, no final, acabou por sorrir à moradora.

A mobilização colocou a política e o mundo atentos à questão de vulnerabilidade dos idosos que, vivendo toda uma vida na mesma habitação, podem receber uma ordem de despejo, em resposta aos atuais custos de uma renda.
 
Pressionado pelos protestos, o Conselho de Ministros espanhol aprovou um pacote extraordinário de medidas aplicáveis a casos semelhantes ao de Maricarmen.
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