Morreu o antigo secretário da Defesa Donald Rumsfeld
Donald Rumsfeld, ex-secretário norte-americano da Defesa durante a presidência de George W. Bush, morreu hoje aos 88 anos, no Estado do Novo México.
Segundo noticia a agência AFP, a família do antigo braço-direito do ex-presidente dos Estados Unidos confirmou a sua morte.
"Ele ficará talvez na História pelas suas conquistas extraordinárias ao longo das suas seis décadas de serviço público, mas para os que o conheciam melhor e cuja vida foi para sempre mudada, nós lembraremos o seu amor inabalável pela sua mulher, Joyce, a sua família e a integridade que ele imprimiu a uma vida dedicada ao seu país", referiu o comunicado da família citado pela AFP.
George W.Bush reagiu à morte do seu antigo chefe do Pentágono, dizendo que "os Estados Unidos estão mais seguros" graças a Rumsfeld. "Choramos um funcionário exemplar, um homem muito bom", acrescentou o ex-Presidente.
"Na manhã de 11 de setembro de 2011, Donald Rumsfeld correu para o fogo no Pentágono para prestar assistência aos feridos e garantir a segurança dos sobreviventes. Nos cinco anos seguintes serviu com constância enquanto secretário de Defesa em tempo de guerra - um dever que desempenhou com força, perícia e honra", acrescentou George W.Bush.
"Um período que representou desafios sem precedentes ao nosso país e aos nosso militares também trouxe à tona as melhores qualidades do secretário Rumsfeld. Um homem de inteligência, integridade e energia quase inesgotável, nunca recuou perante grande decisões e nunca vacilou perante as responsabilidades", prosseguiu o elogio do ex-Presidente.
Donald Rumsfeld era considerado um falcão da política norte-americana, partidário de uma resposta musculada às ameaças aos Estados Unidos e seus interesses.
Desempenhou um papel central no estabelecimento de políticas norte-americanas no âmbito das guerras do Iraque e do Afeganistão, oscilando entre a crítica e o prestígio.
Para uns era considerado o responsável pelo impasse militar norte-americano no Iraque, para outros o herói da queda fulminante do regime Taliban no Afeganistão.
A sua reputação ficou manchada definitivamente em 2004, quando foram reveladas as práticas de tortura e de humilhação de detidos suspeitos de terrorismo na prisão de Abu Ghraib, em abril de 2004.
Fotografias de prisioneiros iraquianos em pose humilhante captadas por militares norte-americanos provocaram indignação mundial.
Jameel Jafeer, da Universidade de Columbia, não hesitou nas críticas, mesmo na hora da morte.
"Rumsfeld deu as ordens que reundaram no abuso e na tortura de centenas de prisioneiros sob custódia norte-americana no Afeganistão, Iraque e na Baía de Guantanamo. Isto deveria estar no cimo de todos os obituários. Mais de cem prisioneiros morreram durante os interrogatórios. As investigações foram erráticas, no máximo. Mas os próprios militares concluíram que alguns dos detidos foram torturados até à morte", escreveu na rede Twitter.
Donald Rumsfeld dirigiu o Pentágono em dois períodos ao longo da sua carreira. Entre 1975 e 1977, quando se tornou o mais jovem responsável pela Defesa norte-americana de sempre, e depois entre 2001 e 2006, enquanto o mais velho secretário da Defesa a servir os EUA.
"Estes seis anos, isto é um certo tempo. Lembra-me a declaração de Winston Churchill: aproveite muito as críticas e nunca em momento algum elas me faltaram'", declarou em 2006.
Campeão de luta, o curriculum de Donald Rumsfeld inclui ainda na juventude o cargo de Representante no Congresso, o cargo de embaixador na NATO de 1973 a 1974, antes de ser secretário-geral da Casa Branca sob Gerald Ford, entre 1974 e 1975, secretário da Defesa e depois candidato à investidura do Partido republicano para as Presidenciais de 1988.