Morreu o fundador da Amnistia Internacional, Peter Benenson
O fundador da Amnistia Internacional, Peter Benenson, morreu sexta-feira à noite, aos 83 anos, no Hospital John Radcliffe, em Oxford, anunciou hoje a organização de defesa dos direitos humanos sedeada em Londres.
Benenson fundou a organização em 1961, quando tinha 40 anos, depois de ter lido um artigo que relatava a detenção de dois estudantes que tinham feito um brinde à liberdade num café de Lisboa.
"Ele levou a luz às prisões, denunciou o horror das câmaras de tortura e a tragédia dos campos da morte pelo mundo", sublinhou Irene Khan, secretária-geral da organização em comunicado.
"Foi um homem cuja consciência brilhou num mundo cruel e terrível, que acreditava no poder das pessoas simples fazerem mudanças extraordinárias e, ao criar a Amnistia Internacional, deu a cada um de nós a oportunidade de mudar as coisas", continuou.
"Em 1961, a sua visão deu origem ao activismo em favor dos direitos humanos. Em 2005, deixa atrás de si um movimento mundial em favor dos direitos humanos que não morrerá jamais", acrescentou.
A Amnistia, que conta actualmente com 1,8 milhões de membros, é a mais importante organização independente de defesa dos direitos humanos.
Nascido a 31 de Julho de 1921, filho mais novo de um banqueiro judeu de origem russa, educado pela sua mãe viúva, Peter Benenson estudou direito na Universidade de Oxford.
O seu sentido contestatário notou-se muito cedo: quando era interno em Eton, a escola preferida da elite britânica, escrevia ao director a queixar-se da má qualidade das refeições da cantina.
O director lamentava à mãe as "tendências revolucionárias", lê-se no site da Internet da Amnistia.
Na altura, convencia alguns dos seus camaradas e família a juntarem dinheiro para ajudar os judeus que emigravam para a Grã- Bretanha para fugir às perseguições nazis na Alemanha.
Após a criação da Amnistia, consagrou-se totalmente à organização durante muitos anos, dando-lhe o essencial dos recursos financeiros, indo investigar ele próprio em diferentes países informações sobre presos de consciência, segundo a Amnistia.
Em 1966, distanciou-se da organização. Convertido ao catolicismo, dedicou-se à oração e à escrita, tendo fundado nos anos 1980 a Associação de Cristãos contra a Tortura.
Benenson estava doente há vários anos e morreu de pneumonia, segundo um porta-voz da Amnistia.