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Morreu o irredutível japonês que ainda combatia 29 anos após o cessar-fogo
Noutro ambiente político, o tenente Hiroo Onoda seria visto como uma vítima do stress de guerra ou como um obstinado com graves perturbações psicológicas, que continuou a matar filipinos quando o seu Governo já tinha capitulado. Mas no ambiente nacionalista do Japão actual, a morte de Onoda foi pretexto para uma homenagem do Governo.
O Governo louvou Onoda, pacificamente falecido de paragem cardíaca aos 91 anos, como um combatente indefectível. O porta-voz do Governo acrescentou uma nota pessoal, afirmando: "Quando ele voltou ao Japão depois de muitos anos na selva filipina, tive a sensação de que a guerra tinha finalmente acabado".
O porta-voz do Governo actual também demorou mais tempo a reconhecer o fim da guerra do que pode esperar-se de alguém com as altas responsabilidades que lhe cabem - 29 anos, tantos como os da obstinação do seu herói. Com efeito, Onoda desembarcara em Lubang, nas Filipinas, em Dezembro de 1944. Logo em Janeiro seguinte, as tropas norte-americanas tomaram o quartel onde estava estacionado e Onoda refugiou-se no mato, com um grupo de soldados, para prosseguir uma guerra de guerrilha.
Cerca de seis meses depois, quando o Japão capitulou incondicionalmente, o grupo não acreditou nos panfletos lançados por avião nem nas mensagens difundidas por altifalante, a anunciarem o fim da guerra e continuou a actividade de guerrilha. Essa actividade fez nos anos seguintes 30 mortos e, alegadamente, centenas de feridos entre a população filipina.
O grupo mantinha-se roubando os camponeses. Mas vários dos seus membros foram sendo mortos ou foram-se entregando, até Onoda ficar sozinho. O presidente filipino, Ferdinando Marcos, ofereceu uma recompensa pela morte ou captura do último irredutível japonês. Os pescadores da ilha afirmavam, contudo, que não precisavam de nenhuma recompensa e que de bom grado o matariam para se verem livres dele.
Finalmente, foi encontrado o antigo superior hierárquico de Onoda, e foi possível fazer chegar ao fugitivo a ordem de rendição do ex-chefe. Onoda entregou-se então, em 1974, foi indultado pelo presidente filipino e voltou ao Japão. Aí ganhou a popularidade que era expectável nos meios nacionalistas e tornou-se um activo arauto dos valores tradicionais, contra a "decadência dos costumes" e a "sociedade da abundância".
O porta-voz do Governo actual também demorou mais tempo a reconhecer o fim da guerra do que pode esperar-se de alguém com as altas responsabilidades que lhe cabem - 29 anos, tantos como os da obstinação do seu herói. Com efeito, Onoda desembarcara em Lubang, nas Filipinas, em Dezembro de 1944. Logo em Janeiro seguinte, as tropas norte-americanas tomaram o quartel onde estava estacionado e Onoda refugiou-se no mato, com um grupo de soldados, para prosseguir uma guerra de guerrilha.
Cerca de seis meses depois, quando o Japão capitulou incondicionalmente, o grupo não acreditou nos panfletos lançados por avião nem nas mensagens difundidas por altifalante, a anunciarem o fim da guerra e continuou a actividade de guerrilha. Essa actividade fez nos anos seguintes 30 mortos e, alegadamente, centenas de feridos entre a população filipina.
O grupo mantinha-se roubando os camponeses. Mas vários dos seus membros foram sendo mortos ou foram-se entregando, até Onoda ficar sozinho. O presidente filipino, Ferdinando Marcos, ofereceu uma recompensa pela morte ou captura do último irredutível japonês. Os pescadores da ilha afirmavam, contudo, que não precisavam de nenhuma recompensa e que de bom grado o matariam para se verem livres dele.
Finalmente, foi encontrado o antigo superior hierárquico de Onoda, e foi possível fazer chegar ao fugitivo a ordem de rendição do ex-chefe. Onoda entregou-se então, em 1974, foi indultado pelo presidente filipino e voltou ao Japão. Aí ganhou a popularidade que era expectável nos meios nacionalistas e tornou-se um activo arauto dos valores tradicionais, contra a "decadência dos costumes" e a "sociedade da abundância".