Morreu Tung Chee-hwa, primeiro líder de Hong Kong após transição de soberania

Morreu Tung Chee-hwa, primeiro líder de Hong Kong após transição de soberania

Tung Chee-hwa, o primeiro líder de Hong Kong após a transferência da antiga colónia britânica para a China, em 1997, morreu aos 89 anos, anunciou hoje o seu gabinete.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Bobby Yip - Reuters

O antigo magnata do setor dos transportes marítimos, nascido em Xangai, foi escolhido por Pequim para assumir o cargo de chefe do Executivo do território, função na qual enfrentou uma série de crises.

Tung Chee-hwa "faleceu pacificamente na presença dos seus amados familiares" na terça-feira, segundo um comunicado.

Ele "dedicou a sua vida, com um compromisso inabalável, a servir a Nação e a RAE [Região Administrativa Especial] de Hong Kong. Os seus contributos, marcados pela integridade, compaixão e dignidade, serão recordados por muito tempo", acrescentou o seu gabinete.

Tung nasceu em Xangai, a 29 de maio de 1937, numa das famílias mais ricas da China no setor do transporte marítimo. Segundo a sua biografia oficial, a família mudou-se para Hong Kong em 1947.

Depois de se ter licenciado em engenharia naval pela Universidade de Liverpool, no Reino Unido, em 1960, trabalhou nos Estados Unidos antes de se juntar ao negócio da família em Hong Kong, em 1969.

Tung assumiu o negócio da família após a morte do pai, em 1981. Quatro anos depois, a empresa estava à beira da falência, mas foi salva graças à intervenção do Governo chinês, em 1986.

Em 1985, Tung integrou um comité encarregado de ajudar a redigir a Lei Básica --- a `miniconstituição` de Hong Kong, que rege a antiga colónia britânica desde a transferência para a China em 1997.

Ascendeu na carreira política, trabalhando tanto no órgão consultivo político de Pequim como no governo de Hong Kong.

Lançado com relutância à liderança de Hong Kong no momento crucial da transferência de soberania, devido aos seus laços estreitos com Pequim, viveu um mandato tumultuoso de oito anos à frente da cidade.

Tung conduziu a transição de colónia britânica para território chinês e teve de lidar com a crise financeira asiática, níveis recorde de desemprego e preocupações quanto à interferência de Pequim nos assuntos de Hong Kong.

A administração teve também de enfrentar o surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) na cidade, entre 2002 e 2004.

Tung enfrentou também várias crises políticas, como a de julho de 2003, quando 500 mil pessoas protestaram contra leis propostas pela China para travar a subversão --- leis que Hong Kong foi inicialmente obrigada a abandonar.

Um ano depois, meio milhão de manifestantes voltaram às ruas, desta vez exigindo democracia.

Em dezembro de 2004, ele e o Governo que liderava foram publicamente repreendidos pelo então Presidente chinês Hu Jintao devido ao um desempenho insatisfatório.

Tung deixou o cargo em 2005, dois anos antes do final do segundo mandato, alegando problemas de saúde, e foi sucedido pelo adjunto, Donald Tsang Yam-kuen.

Embora se tenha afastado em grande parte da vida pública nos últimos anos, Tung chegou mesmo a instar os manifestantes a regressarem a casa durante os protestos pró-democracia liderados por estudantes em 2014.

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