Morte de Alonso Cano é início do fim das FARC - Vítimas e familiares de sequestrados
Bogotá, 05 nov (Lusa) - Antigas vítimas e familiares de sequestrados das FARC consideram que a morte do chefe máximo do grupo armado, Alfonso Cano, significa o princípio do fim da guerrilha que, com 40 anos de história, é a mais antiga da América.
"É o fim de uma história muito grande na vida da guerrilha, e parece que o fim é acompanhado pelos líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)", disse Consuelo González Perdomo, excongresista liberal, sequestrada pela guerrilha durante quase oito anos e libertada em janeiro de 2008 pela ex-candidata à vice-presidência, Clara Rojas.
A responsável afirmou à Rádio Caracol esperar que "os que continuam revejam a sua posição em relação às saídas negociadas para o conflito colombiano e que também reconsiderem os destinos dos sequestrados que continuam em cativeiro".
Singrifredo López, único sobrevivente de um grupo de 12 deputados da região de Valle del Cauca sequestrados em 2002, expressou-se nos mesmos termos à emissora.
Segundo López, a morte de "Alfonso Cano", nome por que era conhecido Guillermo León Sáenz, não é o fim das FARC, mas inicia a sua etapa terminal.
O político considerou que as FARC deverão agora entrar "num período de cerca de seis meses para tentar fortalecer-se antes de negociarem a sua rendição".
Já Fabiola Monsalve, mãe do militar César Augusto Lazo, sequestrado há 13 anos, expressou a sua preocupação em relação ao que a morte do líder das FARC pode representar para os reféns.
"Por favor libertem estes rapazes, vejam o que está a acontecer com os seus chefes, vão morrer todos", afirmou Fabiola Monsalve, ao esperar que os resultados da operação que matou Alfonso Cano sirvam para que "as FARC entendam que devem aceder ao diálogo e à paz".
As FARC mantêm sequestrados cerca de 20 polícias e militares em vários pontos da selva colombiana, alguns deles há 13 anos.
Nos últimso anos libertaram cerca de uma dezena de militares por decisão unilateral, através da mediação da exsenadora Piedad Córdoba e sua organização Colombianos e Colombianas pela Paz.
Alfonso Cano liderava as FARC desde março de 2008, após a morte do fundador e líder histórico do grupo rebelde Manuel Marulanda Vélez ou "Tirofijo", por alegada paragem cardíaca.
O ministro colombiano da Defensa, Juan Carlos Pinzón, confirmou hoje que Alfonso Cano, dirigente máximo das FARC, morreu na sexta-feira durante um confronto com o exército e policía junto a alguns dos seus colaboradores, e assegurou que este é o maior golpe para a guerrilha.