Morte de Arafat gerou incidente no Parlamento italiano

O Parlamento italiano foi hoje palco de polémica com um deputado da direita maioritária a gritar pela "morte de um terrorista", numa altura em que o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, lamentava a morte de Yasser Arafat.

Agência LUSA /
Para uns herói, para outros, terrorista EPA

Irritado com deputados da oposição, que não pouparam críticas ao deputado por estar a ler o jornal no momento em que era lida uma mensagem em memória do presidente da Autoridade Palestiniana, Nino Le Presti, deputado da Aliança Nacional (AN, direita), gritou: "Mas foi um terrorista que morreu!".

O grito desencadeou uma troca de insultos que atravessou todo o hemiciclo, relativamente vazio na altura, com o líder parlamentar da Refundação Comunista, Franco Giordano, a chamar "cretino" a Le Presti.

A calma foi restabelecida ao fim de algum tempo.

"As injúrias do senhor Le Presti ao presidente da Autoridade Palestiniana e Prémio Nobel da Paz são uma página negra da nossa vida parlamentar", lamentou depois Piero Ruzzante, em nome dos Democratas de Esquerda (centro-esquerda).

Vários responsáveis do partido de Silvio Berlusconi, Forza Italia, fizeram questão de manifestar as suas divergências com Yasser Arafat no dia da sua morte.

O secretário para as relações internacionais do partido, Dario Rivolta, afirmou hoje, por exemplo, que "Arafat foi um líder controverso" que, "para o bem e para o mal, integra o grupo de personalidades que fizeram a história recente do Médio Oriente".

Berlusconi, que manteve relações tensas com Arafat e chegou mesmo a recusar um encontro com o líder palestiniano durante uma viagem ao Médio Oriente, em Junho de 2003, apresentou hoje as condolências do governo italiano ao povo palestiniano, que, disse, "perde um símbolo da aspiração à afirmação da sua própria nacionalidade".

Num comunicado oficial, o chefe do governo italiano afirma, ainda, esperar "que os palestinianos consigam alcançar os compromissos necessários à concretização dos objectivos dos dois Estados, o seu e o israelita, de coexistirem lado a lado em segurança, liberdade e desenvolvimento social".

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