Morte de Arafat provoca reacção mundial de pesar

A morte de Arafat motivou uma reacção mundial de pesar, à qual se junta a vontade de continuar o processo de paz que conduza à criação de um Estado palestiniano.

Agência LUSA /
Bandeira da ONU a meia-haste, em Genébra EPA

A Liga Árabe manifestou a sua "profunda tristeza" pela morte de Arafat, que descreveu como "modelo a seguir na luta palestiniana em defesa de uma causa legítima e justa".

Para o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, a morte de Arafat pode "marcar uma viragem histórica para o Médio Oriente".

"Esperamos que a nova direcção palestiniana compreenda que os progressos nas relações com Israel e as soluções dos problemas dependem, antes de mais, da guerra contra o terrorismo que devem empreender", sublinhou Sharon.

O antigo chefe do governo israelita Shimon Peres transmitiu ao primeiro-ministro palestiniano, Ahmad Qorei, as suas condolências pela morte de Arafat, afirmando "compreender a dor sentida pelo povo palestiniano".

Peres foi um dos artífices dos acordos de paz israelo- palestinianos de Oslo de 1993, tendo sido, juntamente com Yasser Arafat e com o primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin, um dos laureados com o prémio Nobel da paz em 1994.

Os presidentes da Comissão Europeia, Romano Prodi e do Parlamento Europeu, Josep Borrell, e o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Javier Solana, lamentaram a morte do dirigente palestiniano, apelando à paz no conflito do Médio Oriente.

Prodi reafirmou o compromisso europeu de encontrar uma solução para o conflito do Médio Oriente, nomeadamente o trabalho da Comissão Europeia com a Autoridade Palestiniana, visando "assegurar uma transição pacífica e democrática nos próximos dias e semanas".

A presidência holandesa da União Europeia emitiu uma declaração de condolências pela morte de Arafat, na qual promete contribuir para que se concretize a aspiração do povo de viver num estado independente.

Ban Bot, chefe da diplomacia holandesa, elogia na declaração a actual direcção palestiniana pela "sua demonstração de responsabilidade ao manter em funcionamento as instituições palestinianas nestes momentos difíceis".

O primeiro-ministro holandês e actual presidente da União Europeia (UE), Jan Peter Balkenende, e a rainha Beatriz da Holanda enviaram um telegrama de condolências à mulher de Arafat, Suha, e às autoridades palestinianas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, António Monteiro, considerou a morte de Arafat um "acontecimento importante para a paz", apesar da "tragédia pessoal".

"Muitas vezes a sucessão facilita, dá uma nova oportunidade para a paz que espero que seja aproveitada", afirmou o chefe da diplomacia portuguesa.

O chefe da diplomacia espanhola, Miguel Angel Moratinos, que foi durante anos enviado especial da União Europeia (UE) no Médio Oriente, sublinhou que a história julgará o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) "com inteligência e justiça".

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, considerou que o processo de paz constitui a "mais alta" prioridade da comunidade internacional.

"O objectivo de um Estado palestiniano viável ao lado de um (Estado) de Israel em segurança é aquele pelo qual devemos continuar a trabalhar", frisou.

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, lamentou a "grande perda" sofrida pelo povo palestiniano com a morte de Arafat, que não pôde ver cumprido o sonho de erguer um Estado palestiniano.

Na opinião do presidente da República Italiana, Carlo Azeglio Ciampi, Arafat "simbolizou a legítima aspiração do seu povo à afirmação da sua própria dignidade, ao reconhecimento dos seus direitos".

O chefe do governo italiano, Sílvio Berlusconi, considerou que o povo palestiniano perdeu, com a morte de Yasser Arafat, "um símbolo da aspiração de afirmação da sua própria identidade nacional".

O presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que a morte de Arafat representa "um momento significativo" na história do povo palestiniano.

"Para o povo palestiniano, esperamos que o futuro traga a paz e a concretização das suas aspirações de uma Palestina independente, democrática e que esteja em paz com os vizinhos", declarou Bush em comunicado difundido pela Casa Branca.

O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu a morte de Arafat como "uma pesada perda" para a direcção e para o povo palestiniano.

"Morreu um dirigente de envergadura mundial, que dedicou toda a sua vida à justa causa do povo palestiniano, à luta pela realização do seu direito inalienável de criar um Estado independente em paz com Israel no âmbito de fronteiras seguras e reconhecidas", acrescentou.

O governo do Paquistão declarou três dias de luto oficial pela morte do "grande líder" palestiniano, ao mesmo tempo que o presidente Pervez Musharraf manifestou o seu pesar numa mensagem ao primeiro- ministro palestiniano, Ahmad Qorei, na qual se confessou convencido de que o "legado (de Arafat) continuará a inspirar as gerações futuras".

O Vaticano, no qual Yasser Arafat sempre viu um aliado da causa palestiniana, expressou a sua dor pela morte do presidente palestiniano, que definiu como um "líder de grande carisma", e "pediu a Deus que conceda a paz à Terra Santa, com dois Estados independentes, soberanos e plenamente reconciliados".

O chefe de Estado sul-africano, Thabo Mbeki, manifestou "grande pesar" pela morte de Arafat, que "deixou de comandar o seu povo".

Yasser Arafat morreu hoje de madrugada no hospital militar Percy de Clamart, arredores de Paris, onde estava internado desde 29 de Outubro.

O corpo segue hoje para o Cairo, onde decorrerão cerimónias fúnebres na presença de vários dignitários de todo o mundo, a partir da base aérea de Villacoublay, perto de Paris, onde será também realizada uma pequena homenagem a Arafat.

O enterro será sábado na Mukata, quartel-general palestiniano, onde Yasser Arafat viveu quase quatro anos sem autorização das autoridades israelitas para sair.

Palestinianos de Jerusalém transportarão hoje para a Mukata dez sacos de terra da Mesquita de Al-Aqsa, na Esplanada das Mesquitas, local onde Arafat gostaria de ter sido enterrado, indicaram fontes oficiais palestinianas.

Na sexta-feira, os restos mortais de Arafat estarão em câmara ardente na Mukata, velha prisão do império colonial britânico e actual símbolo da resistência palestiniana, para o último adeus dos palestinianos.

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