Moscovo e Kiev multiplicam ataques enquanto Putin agradece a Trump e Zelensky lamenta
O Kremlin saúda a travagem a fundo, pela mão do presidente norte-americano, na aplicação de um novo pacote de sanções com a economia russa por alvo. Medida da Casa Branca que atropelou uma anterior decisão do Capitólio.
As forças da Rússia e da Ucrânia desencadearam, às primeiras horas deste sábado, múltiplos ataques com recurso a drones na Península da Crimeia e outros territórios russos e ucranianos. Ações que se sucedem à decisão, por parte de Donald Trump, de suspender um novo conjunto de sanções contra a Rússia - pacote que fora adotado pelo Congresso norte-americano.
De acordo com as autoridades ucranianas, pelo menos uma pessoa morreu em Sloviansk, na região oriental de Donetsk, durante um bombardeamento russo contra uma zona residencial.
Em Vinnitsa, no centro-oeste do país, ocorreu um dos ataques mais pesados desde o início da invasão russa, na descrição da responsável pela Administração Militar Regional, Natalia Zabolotna. Foram abatidos 24 drones e registados danos em infraestruturas civis e críticas, com notícia de seis feridos.
Por sua vez, Moscovo adianta que as defesas antiaéreas russas abateram, durante a noite, um total de 610 drones ucranianos sobre 15 regiões do país e a Crimeia.O Ministério russo da Defesa aponta para ataques ucranianos a alvos em Moscovo, São Petersburgo, nas regiões fronteiriças de Kursk e Belgorod e no sul, em Krasnodar e Rostov.
O presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobianin, indicou terem sido derrubados 144 drones apontados à capital, o que voltou a ditar o fecho dos seus quatro maiores aeroportos.
Esta nova escalada consuma-se depois de a máquina de guerra russa ter cilindrado, no terreno, a trégua energética anunciada pelo presidente dos Estados Unidos. A Ucrânia acabou por retaliar."Momento histórico"
O presidente norte-americano assinou na sexta-feira um decreto presidencial que suspende um novo pacote de sanções à economia russa, argumentando ao Congresso que teve em conta o interesse nacional.Adotado em setembro e batizada com o nome do falecido senador Lindsey Graham, o pacote legislativo tinha por finalidade restringir de forma mais ágil os recursos financeiros da engrenagem bélica do Kremlin.
O travão foi acionado por Trump uma semana depois de este anunciar que os Estados Unidos comprariam gasóleo à Rússia, procurando assim reduzir os preços globais da energia.
Kirill Dmitriev, conselheiro do Kremlin para a cooperação económica internacional, considerou já a decisão do presidente dos Estados Unidos um "momento histórico" nas relações bilaterais.
"A suspensão da lei Graham pela Administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico", reagiu o responsável nas redes sociais.
Suspensão "recompensa e incentiva" Putin
Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considera que a suspensão das sanções "recompensa e incentiva" a política de Moscovo contra Kiev.
"A suspensão das sanções norte-americanas, o alívio da pressão sobre o agressor, as recompensas financeiras para Putin - tudo isto não faz mais do que encorajá-lo a continuar a atacar", reagiu Zelensky nas redes sociais, apelando aos aliados para que mantenham a pressão sobre a Rússia.
"Numa altura em que a Rússia lançou um ataque tão massivo contra o nosso setor energético, infelizmente, nos Estados Unidos tomou-se a decisão de ignorar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria exercer uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra", escreveu Zelensky.
c/ agências