Moscovo e Washington sem interesse em discutir com chefe da diplomacia da UE
A presidência russa afirmou hoje que nem Moscovo nem Washington têm intenção de discutir o que quer que seja com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que classificou de incompetente.
"Nunca vamos falar de nada com ela e os americanos também não, isso é óbvio. O que fazer? Só temos de esperar que ela saia", disse Dmitri Peskov, porta-voz presidencial, à televisão pública russa VGTRK.
Desde o início do mandato, no final de 2024, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança tem sido altamente crítica da campanha militar russa na Ucrânia e uma das principais defensoras das sanções contra o Kremlin.
Kallas, cuja mãe foi deportada para a Sibéria com a sua família por serem considerados inimigos do povo soviético, nasceu na Estónia numa altura em que essa república báltica pertencia à União Soviética.
Peskov sublinhou que os políticos europeus são "incompetentes", o que prejudica "o sistema de relações internacionais".
Na União Europeia "não há políticos visionários", mas sim "funcionários sem formação e incompetentes, que não sabem como olhar para o futuro ou compreender o sistema atual", afirmou o porta-voz do Kremlin.
O porta-voz do Presidente Vladimir Putin comentou que os atuais políticos europeus não conseguirão lidar com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem com as mudanças profundas que estão a ocorrer no mundo.
"Eles são incapazes de resistir à assertividade de Trump", acrescentou Peskov.
Além disso, considerou que as "mudanças dramáticas" que estão a acontecer ultimamente "são produto da geração pobre de políticos que agora está no poder na Europa".
A este respeito, afirmou que os europeus, que quase suspenderam completamente a importação de hidrocarbonetos russos devido à guerra na Ucrânia, libertaram-se "da dependência da Rússia" em questões de gás, mas "agora caíram em dependência dos EUA".
"A dependência da Rússia era provisória e era mútua: nós, como vendedores, dependíamos deles e eles dependiam de nós como compradores" e agora dependem de um único vendedor "que impõe as suas condições", argumentou.
O representante da presidência russa criticou um duplo padrão com a controvérsia desencadeada após a divulgação, pelo Presidente norte-americano, de mensagens privadas enviadas pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
"É interessante para mim que todos os europeus tenham ficado furiosos quando Trump publicou a sua correspondência com Macron, mas quando Macron publicou uma conversa com Putin, ninguém ficou zangado", disse Peskov sobre um diálogo entre o Presidente francês e o seu homólogo russo.