Moscovo. Mais de mil detidos em manifestação por eleições livres

De acordo com a polícia, mais de mil, mais de mil pessoas foram detidas este sábado durante uma manifestação da oposição. O protesto contestava a rejeição de candidaturas independentes às eleições locais, que se realizam a 8 de setembro.

RTP /
Maxim Shemetov - Reuters

A polícia de Moscovo informou este sábado ao fim da tarde que, no total, “1.074 pessoas foram detidas por várias infrações durante uma manifestação não autorizada no centro da capital”.

De acordo com os jornalistas da agência France Presse e da agência Reuters, as autoridades levaram a cabo muitas das detenções de forma violenta. Pelo menos duas pessoas sofreram ferimentos graves na cabeça.  

De acordo com a Reuters, várias pessoas foram detidas simplesmente “por estarem no local errado à hora errada”. Uma testemunha diz mesmo que não estava a participar no protesto e que “estava apenas estava sentado num banco” quando o detiveram.  

Este protesto, considerado ilegal pelas autoridades, foi uma das maiores manifestações ocorridas na capital russa em anos recentes. Os manifestantes exigem a realização de eleições livres, a começar pelo escrutínio de 8 de setembro.  

A comissão eleitoral de Moscovo recusou o registo de um total de 57 candidatos, entre os quais alguns dos principais dirigentes da oposição a Vladimir Putin.

A oposição acusa ainda a comissão eleitoral de manipular as assinaturas que foram recolhidas pelos candidatos nas últimas semanas.  

O próprio Comité de Direitos Humanos, que depende do Kremlin, tomou posição favorável à oposição e apelou à comissão eleitoral para que registasse "todos os candidatos" que recolheram o mínimo de assinaturas necessárias.

Considera que, se não o fizer, estará a ignorar "a vontade de milhares de eleitores"

Na tentativa de conter estes protestos, Alexei Navalny, um dos principais rostos da oposição a Vladimir Putin, foi detido durante esta semana.  

De acordo com o jornal The Guardian, a polícia desencadeou hoje buscas a casas de várias figuras da oposição.  

As autoridades também revistaram um estúdio de televisão, a TV Rain, a principal estação televisiva independente na Rússia, que estava a emitir imagens do protesto em direto.  

A oposição russa olha para as eleições municipais de setembro como um primeiro passo para tentar assegurar uma representação na Duma, nas próximas legislativas de 2021.

No ano passado, Vladimir Putin venceu as eleições presidenciais, que lhe garantiram um novo mandato de seis anos, até 2024.

O Presidente russo ainda não comentou estes protestos e esteve durante o dia de sábado no Golfo da Finlândia para inspecionar as ruínas de um submarino russo da II Guerra Mundial, alheio aos protestos e às detenções. 

c/ Lusa
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