Mundo
Motim em prisão de Manaus fez pelo menos 60 mortos
Ao fim de 17 horas e de negociações, tropas do Batalhão de Choque brasileiro assumiram o controle do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, Compaj, em Manaus, onde decorria um motim desde domingo. A revolta fez pelo menos 60 mortos, anunciou agora o secretário de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), Sérgio Fontes.
A nova contagem revê em baixa o número de 80 vítimas mortais inicialmente estimado na noite de domingo.
O Complexo Penitenciário Anísio Jobim é o maior da Amazónia.
As tropas de choque entraram há minutos no complexo prisional e estão a fazer a contagem dos prisioneiros.
"Vamos ter que recontar todo mundo", afirmou Sérgio Fontes aos jornalistas, citado pelo jornal O Globo.
"Com relação aos mortos, nós acreditamos pela contagem inicial, a não ser que haja algum corpo em algum lugar que a gente não tenha encontrado, que seja em torno de 50 a 60 corpos no máximo, 50 homens assassinados nessa rebelião", acrescentou.
Os corpos estão a ser enviados para um instituto militar onde serão identificados.
Reféns libertados
O Governador local, José Melo, está a acompanhar toda a negociação que permitiu ainda a libertação de sete reféns, funcionários presidários da Umanizare, a empresa responsável pela administração da prisão.
Foram encaminhados para atendimento nas Urgências do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz.
O Batalhão de Choque está agora a avaliar o impacto do sucedido.
"Os reféns foram libertados agora, às 7h, nós fizemos a contenção do semiaberto e agora pouco entramos no regime fechado. Agora estamos fazendo a contagem para saber de fato quantas mortes e fugas tiveram", explicou Fontes.
A rebelião começou domingo à tarde durante a hora das visitas. Uma testemunha, parente de um detido, afirma ter ouvido "tiros, muitos tiros". Foram na mesma altura descobertos seis corpos decapitados, atirados para fora do complexo prisional.
Guerra de gangs
De acordo com os responsáveis locais, o motim teve origem numa guerra entre grupos que se dedicam ao narcotráfico. O 'Família do Norte' (FDN) massacrou os membros do Comando da Capital (PCC) além de um ou outro presidiário apanhado na revolta.
O massacre é mais um capítulo na "guerra silenciosa do narcotráfico contra o Brasil", refere o responsável pela segurança pública do Amazonas.
Sérgio Fontes afirma ainda que este motim vem na linha de diversas revoltas registadas nos últimos meses em presídios de todo o país, pelo que este é um problema nacional e federal.
"Não é uma realidade só nossa, talvez só um número um pouco maior. Ocorreram recentemente rebeliões em outros locais como Rondônia, Roraima, Acre e outros estados do Nordeste", lembrou Sérgio Fontes.
"Essa disputa está ocorrendo em nível nacional por isso é preciso uma medida de caráter nacional envolvendo os governos dos estados e o Governo federal para que possamos juntos enfrentar essa situação", referiu o secretario da Segurança Pública do Amazonas.
Sérgio Fontes reveou que o Governador do Amazonas tem um plano para combater o narcotráfico, que vai propor ao Governo Federal. E sublinha que o Brasil, sem ser produtor, é o segundo país do mundo no tráfico de cocaína.
Em outubro passado, o ministro da Justiça do Brasil, Alexandre de Moraes, defendeu o agravamento de penas para crimes graves cometidos com violência e o abrandamento das penas de delitos sem violência ou ameaça grave.
A alteração iria permitir melhorar o racio de detidos sem aumentar o número de vagas nas prisões.
Segundo maior massacre
Apesar de revisto em baixa a confirmar-se o número de mortos, este terá sido o segundo maior massacre de sempre numa prisão brasileira. O maior ocorreu em Carandiru, São Paulo, em 1992, quando morreram 111 detidos.
Entre os mortos deste motim encontra-se Moacir Jorge Pessoa da Costa, o Moa, um ex-agente da polícia conhecido como delator no caso Wallace que levou à prisão do deputado estadual Wallace Souza, entretanto já falecido.
Moa foi preso por envolvimento em tráfico de droga e por homicídio. Em maio de 2015, foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do traficante Cleomir Pereira Bernadino, o Caçula, em 2007.
O Complexo Penitenciário Anísio Jobim é o maior da Amazónia.
As tropas de choque entraram há minutos no complexo prisional e estão a fazer a contagem dos prisioneiros.
"Vamos ter que recontar todo mundo", afirmou Sérgio Fontes aos jornalistas, citado pelo jornal O Globo.
"Com relação aos mortos, nós acreditamos pela contagem inicial, a não ser que haja algum corpo em algum lugar que a gente não tenha encontrado, que seja em torno de 50 a 60 corpos no máximo, 50 homens assassinados nessa rebelião", acrescentou.
Os corpos estão a ser enviados para um instituto militar onde serão identificados.
Reféns libertados
O Governador local, José Melo, está a acompanhar toda a negociação que permitiu ainda a libertação de sete reféns, funcionários presidários da Umanizare, a empresa responsável pela administração da prisão.
Foram encaminhados para atendimento nas Urgências do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz.
O Batalhão de Choque está agora a avaliar o impacto do sucedido.
"Os reféns foram libertados agora, às 7h, nós fizemos a contenção do semiaberto e agora pouco entramos no regime fechado. Agora estamos fazendo a contagem para saber de fato quantas mortes e fugas tiveram", explicou Fontes.
A rebelião começou domingo à tarde durante a hora das visitas. Uma testemunha, parente de um detido, afirma ter ouvido "tiros, muitos tiros". Foram na mesma altura descobertos seis corpos decapitados, atirados para fora do complexo prisional.
Guerra de gangs
De acordo com os responsáveis locais, o motim teve origem numa guerra entre grupos que se dedicam ao narcotráfico. O 'Família do Norte' (FDN) massacrou os membros do Comando da Capital (PCC) além de um ou outro presidiário apanhado na revolta.
O massacre é mais um capítulo na "guerra silenciosa do narcotráfico contra o Brasil", refere o responsável pela segurança pública do Amazonas.
Sérgio Fontes afirma ainda que este motim vem na linha de diversas revoltas registadas nos últimos meses em presídios de todo o país, pelo que este é um problema nacional e federal.
"Não é uma realidade só nossa, talvez só um número um pouco maior. Ocorreram recentemente rebeliões em outros locais como Rondônia, Roraima, Acre e outros estados do Nordeste", lembrou Sérgio Fontes.
"Essa disputa está ocorrendo em nível nacional por isso é preciso uma medida de caráter nacional envolvendo os governos dos estados e o Governo federal para que possamos juntos enfrentar essa situação", referiu o secretario da Segurança Pública do Amazonas.
Sérgio Fontes reveou que o Governador do Amazonas tem um plano para combater o narcotráfico, que vai propor ao Governo Federal. E sublinha que o Brasil, sem ser produtor, é o segundo país do mundo no tráfico de cocaína.
Em outubro passado, o ministro da Justiça do Brasil, Alexandre de Moraes, defendeu o agravamento de penas para crimes graves cometidos com violência e o abrandamento das penas de delitos sem violência ou ameaça grave.
A alteração iria permitir melhorar o racio de detidos sem aumentar o número de vagas nas prisões.
Segundo maior massacre
Apesar de revisto em baixa a confirmar-se o número de mortos, este terá sido o segundo maior massacre de sempre numa prisão brasileira. O maior ocorreu em Carandiru, São Paulo, em 1992, quando morreram 111 detidos.
Entre os mortos deste motim encontra-se Moacir Jorge Pessoa da Costa, o Moa, um ex-agente da polícia conhecido como delator no caso Wallace que levou à prisão do deputado estadual Wallace Souza, entretanto já falecido.
Moa foi preso por envolvimento em tráfico de droga e por homicídio. Em maio de 2015, foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do traficante Cleomir Pereira Bernadino, o Caçula, em 2007.