Motins nas prisões brasileiras terminam com um morto e 20 feridos
Os presos que se amotinaram sábado na Prisão de São Carlos, São Paulo, terminaram hoje a última de oito rebeliões prisionais que começaram há três dias e fizeram um morto, 20 feridos e 19 reféns, disseram fontes oficiais.
A nova vaga de motins prisionais fez temer uma nova vaga de protestos s imultâneos em prisões, como as 80 rebeliões prisionais que, no mês passado, fize ram em São Paulo 124 mortos.
A Prisão Municipal de São Carlos, 231 quilómetros a Noroeste de São Pau lo, com capacidade para 60 presos mas albergando 224, ficou parcialmente destruí da com a rebelião de sábado.
Os amotinados libertaram o guarda prisional que mantinham como refém e renderam-se cerca das 10:00 (14:00 em Lisboa), depois das autoridades se comprom eterem a transferir alguns presos.
As revoltas começaram simultaneamente, na sexta-feira, nas penitenciári as de Araraquara, Itirapina e Mirandópolis, que as autoridades já controlavam no sábado de manhã.
O motim mais grave aconteceu em Itirapina, onde os revoltosos assassina ram um preso de um grupo rival, incendiaram colchões e móveis e derrubaram porta s.
Quando a situação parecia controlada, a Secretaria da Administração Púb lica confirmou o início de outros motins na penitenciária de Franco da Rocha, no s centros de detenção provisória de Suzano, Parelheiros e São Bernardo do Campo, e na prisão de São Carlos.
Quatro das cinco novas rebeliões, que o governo estadual descreveu como "movimentos pacíficos", pois os presos apenas queriam expor as suas reivindicaç ões, foram controladas ainda durante o dia de sábado.
Contudo, num outro protesto, em que cerca 500 menores se rebelaram em s eis reformatórios em Tatuapé, a operação policial para a dominar fez 14 feridos.
O Estado de São Paulo tem 222 prisões que, apesar de projectadas para a colherem 106.500 detidos, albergam 138 mil presos, 38 por cento de toda a popula ção prisional do país.