Motorista de pesado desaparecido após ataque de supostos terroristas
O motorista de um pesado de mercadorias desapareceu em Macomia, província moçambicana de Cabo Delgado, após o recente ataque de supostos terroristas a uma escolta das Forças de Defesa e Segurança, disseram hoje familiares da vítima.
O motorista do pesado, do distrito de Nangade, fazia o trajeto de Macomia a Awasse, seguindo na coluna escoltada que foi atacada no domingo por supostos rebeldes, a cerca de 100 metros da aldeia V Congresso, na estrada nacional 380 (N380).
O desaparecimento foi agora confirmado por um familiar, a partir de Nangade: "Ele saia de Pemba aqui para Nangade e ouvimos o ataque a V Congresso. Ele estava no grupo, o telefone chamava e depois parou".
Os familiares receiam que tanto a vítima como o pesado estejam nas mãos dos supostos terroristas.
"Só pode ser, ninguém consegue explicar. Não é uma carrinha, estamos a falar de um camião de 10 toneladas", lamentou a fonte.
Pelo menos três pessoas morreram, incluindo dois supostos terroristas, e outras ficaram feridas após confrontos entre rebeldes e militares, durante escolta de viaturas em Macomia, norte de Moçambique, conforme noticiou a Lusa na segunda-feira.
O confronto ocorreu por volta das 13:00 (11:00 em Lisboa) de domingo, a 100 metros da aldeia V Congresso, ao longo da N380, quando os terroristas surpreenderam com tiros um carro das Forças de Defesa e Segurança, que fazia escolta a viaturas que seguiam ao norte de Cabo Delgado, causando a morte de uma menor num dos carros escoltados.
"Houve sim surpresa, começaram a disparar e mataram uma menor e nós abatemos dois terroristas no mesmo local", disse uma fonte militar a partir de Macomia.
Segundo a fonte, houve troca de tiros durante pelo menos 30 minutos no local, interrompendo o trânsito e que só reabriu após a chegada do reforço da força do Ruanda, que apoia o combate ao terrorismo naquela província.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado tenha registado oito eventos violentos em duas semanas, entre janeiro e fevereiro, metade envolvendo extremistas do Estado Islâmico, provocando pelo menos 17 mortos, elevando para 6.449 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização ACLED, com dados de 26 de janeiro a 08 de fevereiro, dos 2.320 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.152 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.449 mortos, refere no novo balanço, incluindo as 17 vítimas reportadas neste período de duas semanas.
No relatório refere-se que neste período o Estado Islâmico de Moçambique (EIM) "entrou em confronto com as forças moçambicanas nos distritos de Mocímboa da Praia e Macomia".
"No dia 30 de janeiro, uma patrulha naval confrontou-se com o EIM na ilha de Muissune, a mais de 20 quilómetros da costa do porto de Mocímboa da Praia. No dia seguinte, militantes do EIM lançaram ataques simultâneos contra duas posições militares moçambicanas na floresta de Catupa, alegando ter matado nove pessoas", lê-se.
As forças de segurança moçambicanas, acrescenta a ACLED, insistem que, pelo menos, um dos ataques, no caso à base de Catupa, conforme noticiado pela Lusa na altura, "foi repelido e que as suas forças mataram cinco militantes".
"O EIM está entrincheirado na floresta de Catupa desde 2022, apesar dos repetidos esforços das forças moçambicanas e ruandesas para os desalojar", reconhece a organização.