Movimento da oposição acusa ex-general Nkunda de ser "um mafioso dos minerais" (C/ AUDIO)

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Lisboa, 07 Nov (Lusa) - O Movimento de Libertação do Congo (MLC), oposição ao regime do Presidente congolês Joseph Kabila, afirmou hoje que o rebelde Laurent Nkunda, que combate no leste do país, "é um mafioso dos minerais".

Em declarações à Agência Lusa, o director do gabinete de Jean-Pierre Bemba, Fidel Babala, salientou, no dia em que se realiza, em Nairobi, Quénia, a cimeira internacional sobre o conflito no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), que Nkunda "combate pelo dinheiro dos minerais".

"Essa é a primeira razão para ele combater. A segunda razão é o facto de fazer `trabalhos` para o Ruanda e não para a RDCongo", adiantou.

"Nkunda está unicamente interessado nos recursos da RDCongo, mas ele quer fazer passar a imagem de que está interessado na defesa dos interesses comunitários", frisou.

Sete líderes africanos estão presentes na cimeira da União Africana (UA) numa tentativa de convencer responsáveis da RDCongo e do Ruanda a pôr em prática compromissos assumidos para resolver o conflito armado no leste da RDCongo e desarmar os vários grupos de milícias activos na zona.

A cimeira de hoje realiza-se após uma série de visitas de responsáveis da União Europeia e dos Estados Unidos na tentativa de ser encontrada uma solução para o conflito no Kivu Norte, leste do país.

O comissário europeu para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, participa na cimeira, bem como os Presidentes da RDCongo, Joseph Kabila, e do Ruanda, Paul Kagame, dois países fronteiriços, que mantêm relações tensas.

Os combates na RDCongo entre o exército congolês e as forças rebeldes de Laurent Nkunda intensificaram-se em Agosto e fizeram, desde então, 250.000 milhões de deslocados, obrigando refugiados exaustos a atravessaram o país.

Nkunda afirmou que o governo congolês não tem protegido os tutsis das milícias hutu ruandesas que fugiram para a RDCongo depois de ajudarem ao genocídio de meio milhão tutsis ruandeses.

Laurent Nkunda, que desertou do exército da RDCongo em 2004, alega actualmente que combate para libertar todo o país de um governo corrupto.

Os rebeldes afirmaram que potências regionais estão novamente envolvidas nos combates e acusaram os aliados do governo, como Angola e o Zimbabué, de se mobilizarem para ajudar as forças do governo, enquanto o executivo acusou o Ruanda de auxiliar os rebeldes.

Fidel Babala afirmou não acreditar "que saia da cimeira de hoje uma resposta para a regularização do conflito no Kivu Norte".

"Não, não acredito que saia da cimeira uma solução. Para já, o nosso governo (da RDCongo) não sabe o que quer. Os deputados do Parlamento querem negociações com todos os grupos envolvidos (no conflito), mas o governo divulgou um comunicado que é `de loucos`".

"O governo quer negociar com o Ruanda mas não com (Laurent) Nkunda (Batware)", explicou, adiantando que, por isso, não tem "esperança que estas negociações possam dar alguns frutos".

Não são as primeiras negociações. Nunca ninguém aceitou os acordos. Não temos neste país a cultura de aceitar os acordos", considerou.

MV.

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