Movimento dos Sem Terra anuncia novas invasões em Abril
O Movimento dos Sem Terra anunciou hoje novas invasões de terras em todo o Brasil, no mês de Abril, numa entrevista ao jornal Gazeta Mercantil.
A nova vaga de invasões é uma forma de o Movimento dos Sem Terra (MST) pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a agilizar a reforma agrária no Brasil, explicou ao jornal o principal líder da organização, João Pedro Stédile.
No ano passado, o MST promoveu uma série de invasões de terra também em Abril, ocupando 127 propriedades em várias regiões do país, numa acção denominada "Abril Vermelho".
"Infelizmente, depois de dois anos de Governo do presidente Lula da Silva, a reforma agrária continua a passo de tartaruga", acusou João Pedro Stédile.
O líder do MST considera que a política económica do presidente Lula da Silva é responsável pela lentidão do processo de reforma agrária porque "concentra riquezas, não gera empregos e dá prioridade apenas às exportações".
João Pedro Stédile lembrou que o presidente Lula da Silva prometeu durante a campanha eleitoral de 2002 distribuir terras a 430 mil famílias.
"O balanço de dois anos do governo Lula da Silva (metade do mandato de quatro anos) é pessimista porque ele distribuiu terras a apenas 60 mil famílias", afirmou o líder do MST.
Actualmente, existem cerca de 200 mil famílias de trabalhadores rurais pobres a viver em acampamentos em diversas regiões do Brasil à espera de terras, acrescentou Stédile.
Segundo este responsável, desde que foi criado há 20 anos o MST já conseguiu terras para 580 mil famílias, das quais 350 mil durante o governo do antigo presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Entretanto, desde 2003, quando Lula da Silva assumiu a Presidência da República, o número de conflitos no campo tem aumentado em todo o Brasil.
Enquanto de Janeiro a Novembro de 2002, último ano do mandato de Henrique Cardoso, o número de invasões de terra foi de 97, no mesmo período de 2004, segundo ano do mandato de Lula da Silva, verificaram-se 316 ocupações de terras.
"Enquanto houver latifúndio improdutivo de um lado e pobres sem trabalho de outro haverá ocupações", justificou o líder do MST ao jornal Gazeta Mercantil.