Movimento dos "Sem Terra" congratula-se com fracasso da OMC

Rio de Janeiro, 02 Ago (Lusa) - O Movimento Sem Terra (MST), grupo de trabalhadores rurais sem terra no Brasil, congratulou-se sexta-feira pelo falhanço das negociações do ciclo de Doha na OMC, indicando que é uma boa notícia para os pobres dos países subdesenvolvidos.

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"O falhanço de Doha, mesmo apesar do governo brasileiro ter aceite de forma vergonhosa a proposta dos países ricos, foi positivo para os pobres dos países subdesenvolvidos", afirmou João Pedro Stedile, dirigente nacional do MST.

Após nove dias de discussões em Genebra, as negociações destinadas a definir o futuro do Ciclo de Doha, para a liberalização do comércio mundial, falharam terça-feira após a falta de acordo sobre a agricultura entre os países ricos e alguns países em vias de desenvolvimento.

Nas negociações, o Brasil defendeu uma abertura dos mercados agrícolas dos países ricos, enquanto os europeus e os norte-americanos reclamaram o acesso dos seus produtos industriais e dos seus serviços aos mercados dos países em vias de desenvolvimento.

Stedile relembrou que a organização internacional Via Campesina, da qual o MST faz parte, considera que os "alimentos não podem ser tratados como uma mercadoria, deixando de lado as necessidades das populações, para assegurar o lucro das empresas multinacionais".

Segundo João Pedro Stedile, os produtos alimentares devem ser considerados "como um direito de cada pessoa" e os governos "têm a obrigação" de aplicar políticas públicas para assegurar a produção de alimentos em quantidade suficiente.

O responsável do MST defendeu que o facto do Brasil ter aceite uma maior abertura do mercado para os produtos agrícolas e matérias-primas sem valor acrescentado para a indústria agro-alimentar em troca da liberalização do mercado brasileiro aos produtos industriais e aos serviços representa uma "visão errada que trava o desenvolvimento nacional".

"É uma posição de subserviência total aos interesses da indústria agro-alimentar e das empresas multinacionais que controlam os produtos agrícolas", concluiu.


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