MP brasileiro pede condenação de acusados de mandar matar Marielle

MP brasileiro pede condenação de acusados de mandar matar Marielle

O Ministério Público brasileiro pediu hoje, no início do julgamento, a condenação dos cinco acusados de mandarem matar a ex-vereadora carioca Marielle Franco.

Lusa /

Segundo o vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand, existem provas suficientes para condenador os réus.

Estão hoje sentados no banco dos réus, em Brasília, em frente ao coletivo de juízes que compõem a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e o seu irmão, João "Chiquinho" Brazão, ex-deputado federal.

A estes dois, juntam-se Rivaldo Barbosa, comissário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Ronald Paulo Alves, ex-polícia militar, e Robson Calixto Fonseca, conhecido como "Peixe", antigo assessor do Tribunal de Contas fluminense.

Marielle Franco, mulher, negra, lésbica, nascida numa favela e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), foi baleada na noite de 14 de março de 2018 enquanto se deslocava num veículo após participar num evento no centro do Rio de Janeiro.

O motorista, Anderson Gomes, também foi assassinado. Com eles seguia Fernanda Chaves, assessora de Marielle Franco e única sobrevivente do ataque.

"Fartos dos confrontos com PSOL e com Marielle, os irmãos Brazão decidiram pelo homicídio de Marielle Franco. Com a intensificação [da atuação] de Marielle em áreas de milícias, a vereadora se tornou o alvo alternativo da organização criminosa", afirmou Hindenburgo Chateaubriand, acrescentando que "Marielle ameaçou os currais eleitorais dos irmãos".

Antes da votação, haverá ainda espaço para a defesa dos acusados se pronunciar, a qual, ao longo do processo, negou a participação dos réus na morte da ex-vereadora.

Presente no tribunal, e antes do início do julgamento, a irmã de Marielle e atual ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse à imprensa local esperar que o julgamento "sirva de exemplo para que nenhum crime fique impune" no país.

Juntamente com a ministra estão presentes o pai e a mãe de Marielle.

Segundo a acusação do Ministério Público, os irmãos Brazão faziam parte de uma "organização criminosa" orientada para negócios imobiliários irregulares em zonas dominadas por milícias, grupos paramilitares formados por agentes e ex-agentes corruptos.

O Ministério Público afirma que ambos ordenaram o assassínio para pôr fim à atividade política de Marielle Franco, que teria dificultado a aprovação de leis destinadas à regularização do uso e ocupação dessas áreas controladas pelas milícias.

Ao plano juntou-se Rivaldo Barbosa, que se valeu da sua posição de comando na Polícia Civil do Rio de Janeiro para obstruir as investigações e garantir a impunidade dos autores intelectuais.

Por sua vez, o agente Ronald Paulo Alves, conhecido como "Major Ronald", vigiou as atividades da ativista e forneceu aos executores as informações necessárias para consumar o crime, segundo a acusação.

O processo acabou nas mãos do STF, a mais alta instância judicial do país, por estar implicado "Chiquinho" Brazão, que tinha foro privilegiado devido à sua condição de deputado.

Tópicos
PUB