Mueller constitui grande júri na investigação sobre ingerência russa

por RTP

O procurador especial Robert Mueller constituiu um grande júri no âmbito das investigações à alegada ingerência da Rússia nas eleições presidenciais americanas. A notícia é avançada pelo Wall Street Journal, que sublinha que o processo “entra numa nova fase”.

O grande júri é uma espécie de câmara de instrução, composta por um grupo de cidadãos que deliberam, à porta fechada, se perante os indícios apresentados se deve avançar para uma acusação.

O Wall Street Journal cita fontes anónimas do que denomina de “uma nova fase do processo”. O grande júri foi criado nas últimas semanas, avança o jornal.

Este passo dá ao procurador especial mais instrumentos de investigação, como a obtenção de documentos, bem como intimações e depoimentos sob juramento.

O porta-voz de Robert Mueller recusou fazer comentários, assinala a agência Reuters.

De acordo com Bradley Moss, advogado especializado em temas de segurança nacional ouvido pela agência France Presse, “não se constitui um grande júri a não ser que a investigação tenha posto em evidência elementos que podem representar a violação de, pelo menos, uma disposição criminal”.

Para o comentador, trata-se de “uma escalada significativa do processo” judicial sobre a alegada interferência russa. “Parece sugerir que descobriu informação que aponta na direção de uma acusação criminal. Contra quem é a verdadeira questão”, afirmou Moss.

Um antigo procurador Paul Callan afirmou à Reuters que se trata de “um sério desenvolvimento” da investigação de Mueller

Robert Mueller foi indicado em maio como procurador especial para investigar as suspeitas de interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, incluindo a hipótese de ligação entre os russos e a campanha de Donald Trump.

Donald Trump tem negado categoricamente qualquer conluio com os russos, no quadro da campanha eleitoral de 2016, e qualificou o caso como uma "caça às bruxas".
“Fabricação total”, diz Trump
O presidente lançou-se esta quinta-feira contra a investigação em curso.

“A história russa é uma fabricação total”, disse Trump diante de uma multidão de apoiantes na Virgínia Ocidental. “A razão pela qual os democratas não falam sobre esta história russa totalmente inventada é porque não têm mensagem, não têm agenda e não têm visão”.

“A maioria das pessoas sabe que não houve russos na nossa campanha. Não ganhámos por causa da Rússia. Ganhámos por vossa causa”, disse Trump à plateia que assistia.

Um advogado de Trump, Jay Sekulow, desvalorizou estes desenvolvimentos, dizendo à Fox News que “esta não é um jogada fora do normal”.

À agência France Presse, outro advogado do Presidente, Ty Cobb, garantiu desconhecer a constituição de um grande júri, assegurando ao mesmo tempo que “a Casa Branca está a favor de tudo o que possa acelerar a conclusão” deste dossier, acrescentando que o executivo “coopera plenamente” com os serviços de Mueller.

Grande júri emite intimações
De acordo com a Reuters, o grande júri já emitiu intimações relacionadas com o encontro entre o filho e genro de Donald Trump com uma advogada russa, em junho de 2016. Baseado em duas fontes, a agência de notícias diz que a investigação avança a um ritmo crescente.

A CNN disse entretanto que o procurador especial Mueller está a investigar em paralelo eventuais ligações financeiras entre a Rússia e Donald Trump e os seus associados.
“Presidente não pensa despedir Mueller”
Trump tem vindo a questionar a imparcialidade de Mueller e membros do Congresso, de ambos os partidos, têm expresso preocupação de que o Presidente o possa despedir. Os senadores republicanos e democratas introduziram nova legislação na quinta-feira que procura bloquear a hipótese de Trump despedir o procurador especial.

O advogado de Trump, Jay Sekulow, veio negar que esse seja o plano de Trump.

“O Presidente não está a pensar despedir Mueller”, garantiu Sekulow.
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