Mugabe renuncia a cargo de presidente do Zimbabué

por RTP
Nas ruas do Zimbabué festeja-se o fim de uma era de quase 40 anos. Reuters

O presidente Robert Mugabe demitiu-se do cargo de presidente do Zimbabué esta terça-feira, através de uma carta, anunciou o líder do parlamento. Diz que a decisão é "voluntária" e pede uma "transferência pacífica de poder". Novo presidente deverá tomar posse na quarta-feira.

"Eu, Robert Gabriel Mugabe, apresento formalmente a minha demissão como Presidente do Zimbabwe, com efeitos imediatos", pode ler-se na carta lida por Jacob Mudenda, o líder do parlamento. E diz que a decisão é "voluntária", pedindo uma "transferência pacífica de poder".

Robert Mugabe demite-se assim da presidência, ao fim de 37 anos no poder, por escrito, e antes do início do debate do "impeachment", para a sua destituição.

A sessão que decorria no Parlamento acabou por ser foi interrompida. O anúncio feito pelo líder do parlamento, Jacob Mudenda, foi recebido com aplausos por parte dos deputados.


A sessão estava a ser acompanhada por centenas de pessoas que se encontravam concentradas frente ao edifício do Parlamento e que exigiam o afastamento do chefe de Estado confinado à residência particular pelos militares, desde a semana passada.

Nas ruas festejou-se o fim de uma era de quase 40 anos. O clima é de festa e alargou-se às ruas da capital, onde houve carros a buzinar e pessoas eufóricas, entre danças, abraços e gritos.



Robert Mugabe recusava ceder a Presidência do Zimbabué. Apesar de estar a ser pressionado pelo próprio partido, pela oposição e pelas Forças Armadas, Mugabe não desiste. É acusado de sucessivas violações dos Direitos Humanos para se manter no poder desde 1980.

Os deputados da ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica) já tinham anunciado que iriam avançar com o processo que permitia desencadear a sua destituição, em apenas dois dias.

O antigo vice-presidente, Emmerson Mnangagwa, deverá tomar posse na próxima quarta-feira, de acordo com declarações à agência Reuters de de Patrick Chinamasa, o representante do ZANU-PF, o partido do poder. Vai cumprir o restante tempo de mandato de Mugabe, até às eleições de setembro de 2018.
Antigo vice-presidente apelou a Mugabe
Emmerson Mnangagwa, o antigo vice-presidente, destituído há duas semanas, tinha apelado esta terça-feira ao Presidente para que se demitisse imediatamente, de modo a "preservar o seu legado" e a permitir "ao país avançar".

Numa nota enviada à imprensa, Emmerson Mnangagwa, cuja destituição desencadeou o golpe do exército contra Mugabe, também indicou que não iria regressar ao Zimbabué enquanto não tivesse certeza que a sua segurança era garantida.

O ex-vice-presidente do Zimbabué, no estrangeiro desde que foi destituído no dia 6 de novembro, confirmou que esteve em contacto com o Presidente, conforme indicou na noite de segunda-feira o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Constantino Chiwenga.

A associação dos veteranos de guerra do Zimbabué também já tinha apelado esta terça-feira à mobilização da população para fazer "cair imediatamente" Robert Mugabe.

"Toda a população deve parar como o que está a fazer e dirigir-se à residência privada do chefe de Estado para que Robert Mugabe abandone o poder imediatamente (…) os manifestantes devem mobilizar-se de imediato", disse à France Presse Chris Mutsvangwa, o líder dos antigos combatentes da guerra de libertação.


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