Mulher do ativista pró-democracia de Macau Au Kam San considera "inaceitável" condenação do tribunal
A mulher do ex-deputado e ativista pró-democracia Au Kam San disse à Lusa que a família considera "inaceitável" a sentença de 12 anos e seis meses de prisão hoje anunciada pelo Tribunal de Base de Macau.
"A nossa família inteira considera isto inaceitável, tanto a pena como o veredicto são inaceitáveis", disse Cheang Mio San, mulher de Au, em declarações à Lusa após a leitura do acórdão do Tribunal Judicial de Base (TJB), que condenou o cidadão português e ex-deputado à Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
O TJB considerou o ativista culpado dos crimes de "subversão contra o poder político do Estado", de "estabelecimento de ligações com organizações, associações ou indivíduos de fora da RAEM para a prática de atos contra a segurança do Estado" e de "violação de segredo".
Ao contrário do julgamento - que decorreu, ao longo de apenas três dias, à porta fechada, para não causar "prejuízo aos interesses da segurança do Estado" - a sentença foi hoje lida numa sessão à porta aberta. Numa carta aberta enviada aos media, que a Lusa confirmou junto de Cheong ser autêntica, a mulher de Au Kam San questionou essa decisão do tribunal.
"É um julgamento político, uma perseguição sem fundamento concebida para humilhar o indivíduo", escreveu.
Cheong disse à Lusa que não lhe é permitido dizer se visitou o marido desde que foi detido preventivamente, mas revelou que até à data não teve qualquer comunicação escrita com ele.
Num comunicado divulgado hoje pelo TJB, o tribunal revelou que "várias dezenas de cidadãos, representantes dos órgãos de comunicação social e familiares do arguido marcaram presença na leitura pública do acórdão". Confrontada pela Lusa sobre se assitiu à leitura do acórdão, Cheong afirmou que está "proibida" de discutir qualquer coisa que tenha ocorrido dentro da sala de audiências.
Apenas quatro órgãos de comunicação social, segundo fonte oficial, estiveram presentes na sessão do TJB, a que a Lusa não pôde assistir.
"Enquanto membro da família, a nossa maior esperança é que, no futuro, nos seja concedida autorização pelas autoridades para nos correspondermos com os prisioneiros e tenhamos o direito de os visitar regularmente, sem sermos privados destes direitos com base em quaisquer condições", afirma Cheong na carta.
"Quanto ao resto, acredito que quaisquer esperanças subjetivas só levarão a uma maior desilusão, pelo que não desejo dizer mais nada sobre o assunto, nem faz sentido fazê-lo", acrescenta.