Mulher grávida é alvejada e acusada de homicídio do feto nos Estados Unidos

Mulher grávida é alvejada e acusada de homicídio do feto nos Estados Unidos

Uma mulher grávida foi alvejada no Alabama, durante uma rixa com outra mulher. A luta terminou com cinco tiros na barriga da grávida, levando à morte do feto, de cinco meses. Porém, quem disparou está em liberdade, e a vítima está a ser acusada de homicídio.

RTP /
Em maio deste ano, o Alabama aprovou uma das leis mais restritivas do aborto nos Estados Unidos. Jeenah Moon - Reuters

Marshae Jones, de 27 anos, estava grávida de cinco meses. No dia 4 de dezembro, em Pleasant Grove, perto de Birmingham, Alabama, envolveu-se numa rixa com Ebony Jemison, de 23 anos. Segundo a polícia, o pai da criança foi o assunto que deu início à discussão, que terminou com um tiroteio. Cinco tiros na barriga de Jones, levando à perda do feto.

Embora Jones tenha sido alvejada foi detida e acusada de homicídio do feto. A atiradora, inicialmente acusada, não foi condenada pelo tribunal, alegando ter sido forçada a defender-se de Jones.

A acusação das autoridades parte do princípio que foi Jones que iniciou a discussão e que pôs o feto em risco. “A única verdadeira vítima nisto tudo é o bebé que não nasceu. Foi a mãe da criança que iniciou e que continuou a luta que resultou na morte do seu próprio bebé”, disse o polícia Danny Reid.  A criança, acrescentou, “não tinha escolha em ser trazida desnecessariamente para uma luta onde ela estava a depender da mãe para a proteger”.

O Alabama é um dos 38 Estados com leis de homicídio fetal que reconhecem o feto como uma potencial vítima.
Protestos e debate sobre as leis antiaborto
A acusação está a originar grandes protestos, levando várias associações a favor do aborto a argumentar que assim se prova como as novas leis restritivas do aborto podem afetar outros casos que não estão relacionados com o aborto.

Em maio deste ano, o Alabama aprovou uma das leis mais restritivas do aborto nos Estados Unidos. A lei proibe o aborto em praticamente todas as circunstâncias, incluindo em caso de violação e incesto.

Várias ativistas já se pronunciaram sobre o caso. "Hoje, Marshae Jones está a ser acusada de homicídio por estar grávida e ser alvejada enquanto estava numa altercação com uma pessoa que tinha uma arma. Amanhã, será outra mulher negra por beber enquanto grávida. Depois disso, outra, por não obter os cuidados pré-natais adequados", disse Amanda Reyes, de uma organização pró-escolha.

Ilyse Hogue, diretora de outra associação pró-escolha, afirmou no Twitter que "este é o cenário para uma mulher negra grávida em 2019 num Estado republicano".

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