Mulher morta ao fugir de ritual de iniciação do Ku Klux Klan no Luisiana
Chicago, Illinois, 12 Nov (Lusa) - Uma mulher que tentava fugir de um ritual iniciático do Ku Klux Klan (KKK) foi morta pelo responsável do grupo nos pântanos do Luisiana (Sul) anunciaram hoje as autoridades citadas pela imprensa local.
A vítima veio de Tulsa (Oklahoma, Sul) a fim de ser iniciada pela organização racista e recrutar outros membros.
Chegada sexta-feira à Luisiana, foi submetida pelo KKK a vários rituais, entre os quais rapar o cabelo, e depois conduzida a um campo acessível apenas por barco para prosseguir a iniciação, que consiste essencialmente em acender tochas e correr no bosque, precisou o xerife de Tammany, Jack Strain, citado pelo diário New Orleans Times Picayune.
Contudo, domingo à noite, a mulher decidiu deixar o local e travou-se de razões com o chefe do grupo, Raymond "Chuck" Foster, 44 anos, que lhe deu um tiro com uma pistola.
Ele terá depois tentado "retirar a bala do corpo" com uma faca, disse o xerife na conferência de imprensa colocando-se perto das vestes do Ku Klux Klan encontradas no local.
Chuck Foster pediu então ao seu grupo para queimar os pertences pessoais da vítima e lançar o corpo para a berma de uma estrada.
Os factos foram descobertos depois de o filho de Foster e um outro membro do grupo terem perguntado segunda-feira, numa loja, como podiam tirar manchas de sangue da roupa. O vendedor, que os conhecia, telefonou para o gabinete do xerife, que imediatamente se dirigiu ao local da reunião do KKK.
Cinco membros do grupo estavam ainda escondidos no bosque e Raymond "Chuck" Foster entregou-se às autoridades. Foi acusado de homicídio em segundo grau e outros sete elementos do grupo de obstrução à justiça.
O xerife qualificou o grupo de "excêntricos" e considerou que ele não representava uma ameaça séria, acrescentando que só alguns `graffiti` racistas podiam estar ligados na região a estes partidários da supremacia branca.
O Ku Klux Klan foi fundado em 1866 por antigos oficiais depois da derrota da Confederação sulista que se opunha à abolição da escravatura. Os seus membros defendiam a supremacia da raça branca e aterrorizavam os negros com linchamentos e outros actos de violência.
No seu apogeu, em 1925, o grupo chegou a ter cinco milhões de membros, entre os quais políticos e um juiz do Supremo Tribunal.
TM.
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