Mulher trans é eleita presidente da comissão parlamentar do Brasil de Direitos da Mulher
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil elegeu na quarta-feira Erika Hilton para presidente, tornando-se a primeira mulher transgénero a ocupar o cargo, após uma votação tensa.
"Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país", declarou a parlamentar do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Erika Hilton recebeu 11 votos a favor e dez votos em branco.
De acordo com o site oficial da Câmara dos Deputados, entre as prioridades da nova presidência constam a fiscalização, a rede de proteção e as Casas da Mulher Brasileira, o combate à violência política de género e a promoção de políticas de saúde integral para as mulheres.
Erika Hilton é a primeira deputada federal negra e trans eleita na história do Brasil, tendo recebido nas eleições de 2022 256.903 votos no estado de São Paulo.
Apesar de ter sido eleita, as deputadas da oposição criticaram duramente a nova presidente da comissão.
"Nós não podemos nos calar diante do que estamos vendo. Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos", criticou a deputada Clarissa Tércio.
Na mesma linha, a deputada bolsonarista Chris Tonietto considerou que o partido não pode concordar "com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina".
Por outro lado, a vice-presidente eleita desta comissão, Laura Carneiro, frisou que "esta comissão tem uma história de muitas lutas e conquistas".
"Como vice-presidente, o meu compromisso é trabalhar ao lado da presidência e de todas as colegas para que o nosso foco seja um só: o direito e a dignidade de cada mulher deste País", afirmou.