Mulheres egípcias têm sido marginalizadas no processo de transição

Nova Iorque, Estados Unidos, 17 dez (Lusa) - A secretária de Estado, Hillary Clinton, defendeu, na sexta-feira, que as mulheres têm vindo a ser marginalizadas na esperada transição democrática no Egito, nomeadamente durante as atuais eleições legislativas.

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"No Egito, as mulheres têm sido amplamente excluídas do processo de transição e até mesmo assediadas na rua", declarou a chefe da diplomacia americana, ao sustentar que os partidos políticos egípcios melhor organizados apoiaram poucas candidatas" no recente escrutínio.

Hillary Clinton referia-se ao partido da Liberdade e Justiça, formado pela Irmandade Muçulmana, considerado um dos movimentos mais influentes do Egito.

Além disso, "as posições destes partidos relativamente aos direitos das mulheres são, no mínimo, ambíguas", referiu.

Finda a primeira fase eleitoral, o partido da Irmandade Muçulmana foi a força política mais votada, com os salafistas (ultraconservadores) do al-Nour a surgirem em segundo lugar.

Os salafistas, candidatos pela primeira vez às eleições egípcias, representam uma corrente do islamismo sunita que defende uma interpretação rigorosa do Corão e a aplicação da `sharia`, a lei islâmica.

As forças islamitas, somando todas as tendências, alcançaram na primeira fase das legislativas mais de dois terços dos votos.

Segundo defendeu Hillary Clinton, em comentários preparados para um discurso sobre mulheres, paz e segurança, "eles devem reconhecer que a revolução foi ganha por homens e mulheres que trabalharam juntos e que democracia só irá prosperar com homens e mulheres a trabalharem em conjunto".

Em julho, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que dirige o Egito desde a queda de Mubarak, anunciou que a quota de mulheres no parlamento seria abolida.

Na sequência das legislativas anteriores, de 2010, as mulheres ocupavam 60 assentos num total de 445, ou seja, 13 por cento.

 

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