Mulheres familiares de presos políticos completam 72 horas em greve de fome em Caracas
Um grupo de mulheres familiares de presos políticos na Venezuela completou 72 horas em greve de fome nos arredores de uma esquadra policial em Caracas para exigir a sua libertação.
Das 10 mulheres em greve de fome, iniciada às 06:00 de sábado (10:00 em Lisboa), uma desmaiou na segunda-feira e foi levada para um hospital de táxi devido à falta de ambulâncias disponíveis, disse à agência de notícias EFE o ativista Diego Casanova, membro da Organização não-governamental (ONG) Comité pela Liberdade dos Presos Políticos.
Na rede social X, a ONG alertou que "a indiferença e a falta de respostas do Estado continuam a colocar em grave risco a vida e a integridade destes familiares e dos presos políticos que também mantêm a greve de fome" dentro da esquadra da Polícia Nacional Bolivariana, conhecida como Zona 7.
Este grupo de detidos iniciou a greve na sexta-feira, pelo que já estão "há mais de 90 horas nesta medida extrema de protesto", revelou a ONG que, na segunda-feira, denunciou que os polícias impediram a entrada de soro para os presos sem darem qualquer explicação.
No local, há um pequeno quadro com informações sobre a greve das mulheres, como o tempo decorrido, e uma faixa grande onde se lê "Liberdade para todos".
As manifestantes, com idades entre os 23 e 46 anos, permanecem sobre colchões.
A ONG explicou que a greve está a ser realizada por causa "do incumprimento" do presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, que em 06 de fevereiro prometeu a libertação de "todos" assim que a lei de amnistia fosse aprovada, algo que estimou que ocorreria "o mais tardar" na sexta-feira.
Na Zona 7, houve 17 libertações no sábado, salientou o presidente do parlamento.
O processo de libertação e a discussão de uma amnistia ocorrem num "novo momento político" anunciado pela presidente, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo depois de os Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro numa operação militar em Caracas, em janeiro.