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Multinacionais farmacêuticas usaram cobaias humanas na RDA
Algumas das mais destacadas empresas do ramo farmacêutico levaram a cabo experiências médicas não autorizadas em cerca de 50.000 pacientes, na antiga República Democrática Alemã (RDA). Vários pacientes morreram na sequência dos testes mas o Estado leste-alemão recebeu elevados montantes em divisas por cada experiência realizada.
A revista Der Spiegel revela hoje a dimensão de algo que era conhecido mas que teria tido lugar, supostamente, em escala muito mais modesta: as experiências médicas com cobaias humanas na antiga RDA. Calculava-se até agora que se tivesse tratado de uns poucos milhares, mas houve, afinal, cerca de 50.000 experiências não autorizadas.
Estas realizaram-se em meia centena de clínicas e envolveram cerca de 600 estudos sobre variadíssimos tipos de medicamentos: quimioterapia, antidepressivos, medicamentos para o coração, etc..
A Hoechst, que hoje se encontra absorvida pela multinacional francesa Sanofi, experimentou um medicamento chamado Trental, que causou a morte de pelo menos três pessoas. A Sandoz, da Baviera, experimentou o medicamento designado como Spirapril, que causou pelo menos duas mortes, e a levou a interromper os testes. Houve além disso experiências hormonais da Boehringer sobre recém-nascidos e experiências da Bayer sobre pessoas dependentes do álcool.
As interessadas eram multinacionais farmacêuticas alemãs ocidentais, norte-americanas ou suíças. Por cada um dos estudos pagavam em média o equivalente a 450.000 euros, directamente para os cofres do Estado leste-alemão, que vivia uma crónica penúria de moeda forte.
Multinacionais envolvidas
Bayer
Boehringer
Schering
Pfizer
Sandoz
RocheO interesse daquelas multinacionais pela RDA resultava da relativa indefinição legal sobre os testes de novos medicamentos. Christian Thierfelder, director da Charité, um dos principais hospitais de Berlim-Leste, afirmava que a Bayer queria realizar na RDA "experiências que a imprensa ocidental considera indignas e desumanas".
Roland Jahn, hoje chefe do arquivo de Stasi (a polícia política da RDA) afirma que a indústria farmacêutica "se aproveitou das condições políticas autoritárias existentes na RDA".
Em entrevista ao diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, Volker Hess, especialista da História da Medicina no já citado hospital da Charité, pelo contrário, admite que os pacientes não eram ouvidos, nem pedida a sua autorização, para as experiências, mas sustenta, ainda assim, que "os estudos se levaram a cabo em conformidade com as normas".
E apela com veemência a que se evitem as amálgamas entre as experiências médicas agora investigadas e aquelas que fazia nos campos de extermínio nazis o famigerado Dr. Joseph Mengele e outros como ele. Tanto mais que algumas das empresas que dirigiam essas experiências eram exactamente as mesmas ...
Estas realizaram-se em meia centena de clínicas e envolveram cerca de 600 estudos sobre variadíssimos tipos de medicamentos: quimioterapia, antidepressivos, medicamentos para o coração, etc..
A Hoechst, que hoje se encontra absorvida pela multinacional francesa Sanofi, experimentou um medicamento chamado Trental, que causou a morte de pelo menos três pessoas. A Sandoz, da Baviera, experimentou o medicamento designado como Spirapril, que causou pelo menos duas mortes, e a levou a interromper os testes. Houve além disso experiências hormonais da Boehringer sobre recém-nascidos e experiências da Bayer sobre pessoas dependentes do álcool.
As interessadas eram multinacionais farmacêuticas alemãs ocidentais, norte-americanas ou suíças. Por cada um dos estudos pagavam em média o equivalente a 450.000 euros, directamente para os cofres do Estado leste-alemão, que vivia uma crónica penúria de moeda forte.
Multinacionais envolvidas
Bayer
Boehringer
Schering
Pfizer
Sandoz
RocheO interesse daquelas multinacionais pela RDA resultava da relativa indefinição legal sobre os testes de novos medicamentos. Christian Thierfelder, director da Charité, um dos principais hospitais de Berlim-Leste, afirmava que a Bayer queria realizar na RDA "experiências que a imprensa ocidental considera indignas e desumanas".
Roland Jahn, hoje chefe do arquivo de Stasi (a polícia política da RDA) afirma que a indústria farmacêutica "se aproveitou das condições políticas autoritárias existentes na RDA".
Em entrevista ao diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, Volker Hess, especialista da História da Medicina no já citado hospital da Charité, pelo contrário, admite que os pacientes não eram ouvidos, nem pedida a sua autorização, para as experiências, mas sustenta, ainda assim, que "os estudos se levaram a cabo em conformidade com as normas".
E apela com veemência a que se evitem as amálgamas entre as experiências médicas agora investigadas e aquelas que fazia nos campos de extermínio nazis o famigerado Dr. Joseph Mengele e outros como ele. Tanto mais que algumas das empresas que dirigiam essas experiências eram exactamente as mesmas ...