Multinacional com ligações a massacre na Amazónia

A maior empresa de carne a nível mundial, a JBS, foi associada ao massacre ocorrido em abril de 2017 na Amazónia, no qual nove pessoas foram assassinadas. A ligação surge na sequência de o fornecedor da JBS estar a ser abastecido por gado pertencente a Valdelir João de Souza, o principal suspeito dos assassinatos.

RTP /
Venda de carne da JBS em 1999. Michael Crabtree, Reuters

A nova investigação levada a cabo pela organização não-governamental brasileira "Repórter Brasil" surge numa altura em que a JBS enfrenta uma pressão pública devida a faltas de transparência na sua cadeia de distribuição de gado na Amazónia.

Após a tragédia, João de Souza arrecadou duas fazendas denominadas Três Lagoas e Piracama. De acordo com os registos do governo brasileiro, cerca de 143 bovinos foram vendidos por estas fazendas à de Máurício Narde, que por sua vez os vendeu à JBS, num curto espaço de tempo.

“Nós compramos e vendemos, apenas para manter o produto em movimento”, afirmou Narde numa entrevista ao jornal The Guardian.

Os ambientalistas sugerem que esta venda rápida de gado seja uma “lavagem”. Este procedimento ocorre quando os animais de uma fazenda se encontram em lugares com problemas ambientais e são vendidos para outros “mais limpos”.

“Esta série de coincidências sugere uma prática comum, que é a triangulação de animais”, referiu o diretor de "Amigos da Terra Brasil", Mauro Armelin. O mesmo acrescentou: “É uma prática que pode indicar lavagem de gado”.

A "Repórter Brasil" destaca as dificuldades que as grandes empresas de carne no Brasil têm passado no acompanhamento dos seus produtos.

A JBS e outras empresas, como é o caso da Marfrig, comprometeram-se em 2009, através da assinatura de dois acordos com a Greenpeace e os promotores brasileiros, a não comprarem produtos a fazendas que estivessem envolvidas em processos de gado ilegal.

Em declarações ao "Repórter Brasil", a JBS garantiu que João de Souza não era seu fornecedor e que “não adquiriu gado de fazendas envolvidas em abate de florestas nativas, invasão de reservas indígenas, violência rural, conflitos ou que usavam trabalho escravo ou infantil”.
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