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Guerra no Médio Oriente
Múltiplos ataques israelitas no sul do Líbano apesar do acordo EUA-Irão
Israel atacou o sul do Líbano por diversas vezes na manhã desta quarta-feira, apesar do acordo assinado entre Teerão e Washington, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA).
O Irão tem declarado reiteradamente, desde o anúncio do acordo com os Estados Unidos na segunda-feira, que este deve incluir a cessação das hostilidades no Líbano, onde Israel alega estar a atacar o Hezbollah, aliado de Teerão.
Na noite de segunda-feira, os militares iranianos ameaçaram com uma "resposta severa" caso os ataques israelitas continuassem.
Os ataques israelitas diminuíram desde o anúncio do acordo, mas continuaram, causando a morte a cinco pessoas desde então, segundo a NNA.
Na terça-feira, o exército israelita realizou vários ataques aéreos, matando quatro pessoas, e alegou que os seus soldados no sul do Líbano foram alvejados por rockets.
Os combates no Líbano entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, abrandaram, mas não cessaram completamente após o anúncio de um acordo de paz provisório entre os Estados Unidos e o Irão na segunda-feira. Israel não comentou os ataques. As tropas israelitas continuam a ocupar grandes áreas do sul do Líbano e arrasaram dezenas de aldeias, deixando-as sem residentes.
Em comunicado, as forças armadas de Israel disseram ter intercetado rockets lançados pelo Hezbollah numa zona do sul do Líbano onde soldados israelitas realizavam operações.
Os militares disseram ainda ter atingido um lançador que disparou alguns dos projéteis. O exército israelita afirmou ter identificado um veículo suspeito onde os seus soldados operavam e disparou um tiro de aviso na sua direção antes de realizar um ataque "para eliminar a ameaça".
O Hezbollah afirmou ter disparado drones e rockets contra veículos militares israelitas que, segundo o grupo, tentavam avançar para o sul do Líbano, no seu primeiro ataque desde o acordo. O grupo alinhado com o Irão disse ainda ter disparado salvas de rockets e projéteis de artilharia contra as tropas israelitas no sul do Líbano, onde os confrontos ainda estavam em curso.
As forças armadas israelitas têm arrasado aldeias no sul do Líbano há semanas, alegando que estão a agir contra militantes do Hezbollah infiltrados em zonas civis da região predominantemente xiita. Centenas de milhares de xiitas libaneses estão abrigados noutras zonas do país.
O Líbano sofreu o efeito mais mortífero do conflito entre os EUA e o Irão, com quase 3.800 mortos e cerca de 1,2 milhões de pessoas desalojadas.
A região foi destabilizada por uma ofensiva israelita contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão, que abriu fogo sobre Israel em apoio de Teerão a 2 de março.
O Irão, cuja Guarda Revolucionária Islâmica fundou o Hezbollah em 1982, insistiu que fosse necessário um acordo com o Líbano para a sua consolidação.
Desde o anúncio do acordo com os Estados Unidos, o Irão tem afirmado reiteradamente que a situação global deve incluir a cessação das hostilidades no Líbano. Israel alega estar a atacar o Hezbollah (Partido de Deus), milícia xiita libanesa, aliada de Teerão.
O fim dos combates é fundamental para o acordo mais amplo, com Teerão a pressionar para que fosse incluído um cessar-fogo no Líbano.
O Paquistão, um mediador-chave entre Teerão e Washington, anunciou que um acordo assinado na manhã de segunda-feira, hora local, previa "o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano".
A declaração trouxe uma relativa calma ao sul do Líbano, embora a violência esporádica persista, uma vez que as tropas israelitas permanecem estacionadas no território que ocuparam durante os três meses de guerra, segundo fontes de segurança libanesas e estrangeiras.
c/agências