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Música , festa e discursos no primeiro dia de campanha em São Tomé

Música , festa e discursos no primeiro dia de campanha em São Tomé

Música, festa e os habituais discursos políticos marcaram o primeiro dia de campanha para as eleições legislativas do próximo dia 26 em São Tomé e Príncipe.

Agência LUSA /

Cartazes em quase todas as paredes dos edifícios públicos, caravanas de automóveis e apoiantes de vários partidos, exibindo a propaganda de que dispõem, reuniões e comícios políticos, com grupos musicais como atracção, dominaram a campanha iniciada às zero horas de sábado no arquipélago.

Das dez forças que se concorrem a estas eleições - duas coligações, sete partidos políticos e um movimento cívico -, a mensagem política limita-se ao apelo ao voto com a promessa de que se vencerem irão desenvolver o país e melhorar a vida da população, mais de metade da qual (53 por cento) vive abaixo do limiar da pobreza, com menos de um dólar por dia.

Com a entrada na era do petróleo, tendo em conta o avanço do processo para a exploração do "ouro negro" na zona marítima exclusiva do arquipélago, bem como numa área conjunta com a Nigéria, observadores políticos admitem que estas eleições serão as mais renhidas de sempre, incentivando ainda mais o habitual fenómeno do "banho" (candidaturas dão dinheiro ou bebida ao eleitor para a "compra" do voto).

"Voto no partido que me der maior banho", um são-tomense, 27 anos, que vestia uma "t-shirt" de um partido em campanha nos arredores da capital, São Tomé.

E, para que não restassem dúvidas de que estava a falar a sério, explicou a "táctica".

"Depois vou trocar de `t-shirt` para ir à festa de campanha de outro partido. Voto no que der maior banho".

Fontes das diferentes forças políticas que concorrem às legislativas são mais discretas a falar do assunto, que envolve verbas cuja proveniência não é clara, apesar das acusações mutuas de partidos sobre financiamentos de "amigos" estrangeiros, sobretudo da Nigéria, Taiwan, Angola e até de Portugal.

Entre as dez forças em liça, analistas locais apontam três como as favoritas à vitória nas legislativas: o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP- PSD ainda no poder), a coligação Movimento Democrático Força da Mudança - Partido da Convergência Democrática (MDFM-PCD, próxima do Presidente da República, Fradique de Menezes), e a Acção Democrática Independente, ADI, liderada por Patrice Trovoada (filho do antigo presidente Miguel Trovoada).

Observadores admitem ainda que nenhum dos favoritos obterá a maioria absoluta tal como sucedeu nas últimas legislativas, em 2002, em que o MLSTP-PSD conquistou 24 dos 55 lugares que compõem o parlamento, seguido do MDFM-PCD com 23 e a coligação Uê-Kedadji, então integrada pela ADI, com restantes oito.

As restantes forças concorrentes são a Geração Esperança, o Partido Trabalhista São- Tomense (PTS), o Movimento Novo Rumo (NR), o Partido Liberal Social (PLS), a Frente Democrática Cristã (FDC), a União Democrática para Desenvolvimento (UDD) e a coligação Uê-Kedadji.

Estima-se que pouco mais de 79 mil eleitores foram inscritos pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), organismo responsável pela organização do escrutínio, que terá gasto mais 500 mil dólares na preparação das legislativas.

A votação de dia 26 decorrerá em 232 mesas de voto, controladas por mais de 800 agentes eleitorais.

O distrito de Água-Grande (que inclui a capital, São Tomé) com cerca de 32 mil eleitores e o de Mezochi, com 20 mil, são decisivos nestas eleições, para as quais se espera a presença de mais de uma dezena de observadores internacionais provenientes, sobretudo, da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), bem como algumas organizações internacionais.

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