Musk acusa forças ucranianas de violar os termos de utilização da Starlink

Musk acusa forças ucranianas de violar os termos de utilização da Starlink

As Forças Armadas da Ucrânia afirmam que a conexão via satélite Starlink está estável após as recentes restrições. No entanto, Elon Musk acusa os militares ucranianos de violarem os termos da empresa.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Gonzalo Fuentes - Reuters

Dez dias após ter sido restringida a capacidade do país de usar o sistema de comunicações via satélite, o governo ucraniano afirmou que as forças armadas têm uma "conexão estável com o Starlink".

Mas horas depois, o CEO da SpaceX, empresa dona da Starlink, acusou os militares ucranianos de violarem os termos do acordo. Nem Musk nem o governo dos EUA, que opera o Starshield usando a tecnologia da Starlink, assumiram a responsabilidade pela imposição das restrições.

O magnata norte-americano do setor tecnológico Elon Musk, responsável da SpaceX, acusou a Ucrânia de violar os termos de utilização do Starlink, após vários dias de limitação de velocidade, no meio de tensões com Washington.

"Os termos de utilização do Starlink mantiveram-se consistentes: trata-se de um sistema civil, e não de um meio para matar. Qualquer violação destes termos resultará no encerramento do serviço"
, escreveu Musk na rede social X, da qual é dono, no sábado.

Musk acrescentou que o Starlink continua a ser "crucial para a defesa da Ucrânia", pois é o único sistema que não pode ser bloqueado ou destruído --- pelo menos por enquanto.

"Se o Starlink fosse desativado, a linha da frente ucraniana entraria em colapso imediatamente", salientou noutra mensagem.

Embora Elon Musk tenha mudado de posição várias vezes em relação à Ucrânia desde a invasão russa do país, em 2022, sempre afirmou que qualquer falha no funcionamento seria da responsabilidade do governo norte-americano, e não da sua empresa, a SpaceX.

Serhiy Beskrestnov, um conselheiro presidencial ucraniano, afirmou no aplicativo Telegram que o país é "fisicamente incapaz" de usar o Starlink para operações com drones de ataque de longo e médio alcance.

Kiev depende do sistema de comunicação por satélite civil Starlink, bem como da sua versão de nível militar, o Starshield, nos seus esforços para se defender contra os ataques russos com mísseis e drones.

Horas antes, a Ucrânia informou que voltou a ter uma "ligação estável" ao sistema Starlink, após vários dias de limitação da velocidade do serviço.

"Os sistemas de vigilância do Ministério da Defesa registam um restabelecimento da velocidade do Starlink/Starshield. Registamos uma velocidade superior a 400 km/h [quilómetros/hora], a ligação está estável", afirmou o ministro da Defesa ucraniano, Yevhen Khmara, num comunicado.

"Este resultado é, acima de tudo, importante para a nossa linha da frente, para os nossos militares, para o funcionamento dos drones, para a logística e para as comunicações", acrescentou.

Khmara congratulou-se com "a posição firme do Presidente ucraniano [Volodymyr Zelensky] ao mais alto nível", considerando que esta "está a dar frutos".

A Ucrânia queixava-se há vários dias de uma limitação da velocidade dos terminais Starlink para além dos 160 km/h, o que prejudicava, nomeadamente, a sua capacidade de utilizar certos drones.

Volodymyr Zelensky acusara Washington de estar na origem dessas limitações e de não ter avisado Kiev, em várias ocasiões, da chegada de mísseis russos antes de estes atingirem o alvo.

A Casa Branca e Elon Musk negaram, cada um por sua parte, estar na origem da limitação deste sistema de satélites.

Na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que Elon Musk tinha "reativado" a rede Starlink para a Ucrânia.

Estas restrições tiveram início após um pico de tensões entre Zelensky e Trump, que trocaram críticas acesas através dos meios de comunicação social.

 

C/agências

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