Myanmar acolhe cidadãos repatriados da Malásia "assim que possível"
O Presidente de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, afirmou hoje que os cidadãos do país detidos em centros de detenção na Malásia vão ser repatriados "assim que possível".
"Vamos trazer de volta estes cidadãos, cuja identidade foi verificada, assim que possível", afirmou Min Aung Hlaing durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, em Putrajaya, capital administrativa da Malásia.
O líder birmanês iniciou na quarta-feira uma visita de dois dias à Malásia, na que é a primeira viagem ao país desde que assumiu o poder através do golpe de Estado de 2021, numa altura em que Kuala Lumpur solicita a cooperação para o repatriamento contestado de milhares de migrantes birmaneses.
Min Aung Hlaing deixou, em abril, o cargo de chefe das forças armadas para se tornar Presidente, na sequência de eleições denunciadas no estrangeiro como uma manobra para prolongar o regime militar sob um disfarce civil.
Desde a eleição, Min Aung Hlaing tem-se empenhado em restabelecer as relações diplomáticas de Myanmar, amplamente marginalizada desde o golpe de Estado, seguido de uma guerra civil sangrenta.
O repatriamento de cinco mil cidadãos birmaneses, anunciado em julho por Anwar Ibrahim, está no centro das discussões. Um primeiro grupo de cerca de 1.500 pessoas foi repatriado para Myanmar no domingo.
As autoridades malaias não especificaram quantos rohingya se encontravam entre as pessoas que voltaram ao país.
No entanto, o anúncio destes repatriamentos suscitou preocupações relativamente a esta minoria muçulmana perseguida, que constitui a maioria dos refugiados e requerentes de asilo birmaneses na Malásia, de acordo com a ONU.
Anwar Ibrahim reiterou hoje os agradecimentos a Myanmar por ter acolhido novamente os migrantes e "pela sua franqueza e vontade de colaborar".