Na Alemanha eleição de neonazis assusta democratas

A entrada dos neonazis do Partido Nacional Democrático (NPD) para o Parlamento Regional de Mecklemburgo- Pomerânia Ocidental (ex-Alemanha de Leste), após as eleições de domingo, foi considerada "uma catástrofe" pelas forças democráticas.

Agência LUSA /

O NPD, que já está representado desde 2004 no Parlamento da Saxónia, outra região no território da extinta Alemanha de Leste, obteve 7,3 por cento dos votos para o Hemiciclo de Schwerin, onde terá deputados pela primeira vez.

O secretário geral do Partido Social Democrata (SPD), Hubertus Heil, num comentário aos resultados eleitorais, acusou o NPD de ter "grupos de caceteiros" à imagem das SA, os célebres "camisas castanhas", grupo paramilitar ao serviço dos nazis que aterrorizou a Alemanha na época da República de Weimar e contribuiu para a chegada de Adolf Hitler ao poder, em Janeiro de 1933.

"Os criminosos de extrema-direita não devem estar no parlamento, mas sim perante o tribunal", sublinhou Heil.

O político social-democrata lembrou que durante a campanha eleitoral para o Senado de Berlim, que também foi eleito no domingo, dois militantes sociais-democratas foram agredidos por presumíveis neonazis.

Além disso, Heil acusou o NPD de ter tentado atemorizar militantes dos outros partidos durante as campanhas eleitorais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, e de ter tentado impedir as respectivas actividades políticas.

O ministro-presidente de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental, Harald Ringstorff, do SPD, mostrou-se "horrorizado" com o êxito eleitoral do NPD na sua região, classificando a entrada dos neonazis no Hemiciclo de Schwerin como "uma catástrofe".

"Temos de fazer frente aos neofascistas com métodos democráticos e essa será a principal tarefa da nova legislatura", disse Ringstorff ao canal de televisão pública ZDF.

O político do SPD deverá manter-se no cargo por mais cinco anos, após a vitória do seu partido nas eleições de domingo, com 30,2 por cento, apesar de ter perdido quase 10 pontos percentuais em relação ás últimas eleições.

A CDU, da chanceler Angela Merkel, com 28,8 por cento, registou o seu pior resultado de sempre nesta região, mas os neocomunistas do PDS, que integram o actual governo regional, também tiveram um revés, quedando-se pelos 16,8 por cento nesta sua praça- forte.

O SPD terá de decidir agora se mantém a sua coligação com o PDS, com escassa maioria absoluta, ou se faz uma aliança com os democratas-cristãos, adoptando o modelo do governo central em Berlim.

Outros políticos de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a região mais pobre da Alemanha, com apenas 67 por cento do rendimento per capita nacional e a maior taxa de desemprego do país, 18,9 por cento, queixaram-se de não haver um combate decidido aos neonazis, e falaram de "uma derrota para toda a sociedade", face ao resultado obtido pelo NPD.

Os serviços de inteligência regionais já tinha advertido há muito para a nova estratégia do partido neonazi, que resolveu dedicar- se cada vez mais a temas sociais, em abdicar, no entanto, do seu carácter xenófobo.

"Assim obtêm maior aceitação e uma imagem de simpatia junto da população", sublinhou o ministro do interior de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Gottfried Timm.

O cabeça de lista do NPD, Udo Past¸rs, dono de uma relojoaria na região, anunciou após o seu sucesso que irá "fazer uma dura oposição" no Hemiciclo de Schwerin.

"Iremos obrigar ao debate de temas que o governo regional quer evitar", garantiu o dirigente neofascista.

Há dois anos o NPD averbou o seu primeiro êxito no leste da Alemanha, ao conseguir eleger 12 deputados ao Parlamento Regional da Saxónia, em Dresden, resultado dos 9,2 por cento obtidos nas eleições.

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