Nações Unidas. Zelensky exige retirada do poder de veto a Moscovo

No discurso perante a Assembleia Geral da ONU, o presidente ucraniano exigiu às Nações Unidas que o direito de veto do Conselho de Segurança seja retirado à Rússia. Esta quinta-feira, aquele órgão das Nações Unidas reúne-se para discutir as mais recentes atrocidades relatadas na guerra da Ucrânia. O encontro acontece um dia depois de Vladimir Putin ter ordenado a mobilização de milhares de reservistas para o conflito.

Andreia Martins - RTP /
Mike Segar - Reuters

“Foi cometido um crime contra a Ucrânia e exigimos um castigo justo”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aos vários líderes mundiais presentes na Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorre por estes dias em Nova Iorque.

O chefe de Estado ucraniano pede, em concreto, para que o poder de veto seja retirado a Moscovo. Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas já se reuniu por diversas vezes, mas não foi capaz de tomar uma ação decisiva, uma vez que a Rússia é um dos cinco membros permanentes com poder de veto, ao lado de Estados Unidos, França, Reino Unido e China.

Esta quinta-feira, o Conselho de Segurança reúne-se em Nova Iorque para discutir a evolução da guerra na Ucrânia. Vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, têm acusado a Rússia de cometer crimes de guerra e de visar civis nos seus ataques.

A reunião acontece no rescaldo do discurso de Vladimir Putin, na quarta-feira, em que o presidente russo anunciou a mobilização de cerca de 300 mil reservistas para a frente de batalha e confirmou a intenção de anexar quatro regiões ucranianas após a realização de referendos, nos próximos dias. O líder russo ameaçou ainda o Ocidente com o uso de armas nucleares para “defender” território russo.

O tema acabou por dominar praticamente todos os discursos na sede da ONU durante o dia, com destaque para a intervenção de Volodymyr Zelensky, numa transmissão gravada.

“Podemos voltar a hastear a bandeira ucraniana em todo o nosso território. Podemos fazer isso com a força das armas. Mas precisamos de tempo. (…) A Rússia quer passar o Inverno em território ocupado, na Ucrânia. Quer preparar fortalezas em terras ocupadas e realizar uma mobilização militar. Não podemos concordar com uma guerra adiada, porque será ainda mais quente do que a guerra que temos agora”, afirmou.

O presidente ucraniano elencou várias condições para a paz que são inegociáveis para a Ucrânia. Estas condições incluem a punição pela agressão russa, restauração da segurança e integridade territorial da Ucrânia e garantias de segurança ao país.

Exigindo um “castigo justo”, Zelensky apelou à criação de “um tribunal especial” para punir a Rússia pela “agressão” contra a Ucrânia. Lembrou, no maior palco da ONU, as recentes descobertas na cidade de Izium, recuperada pelas tropas ucranianas, onde foram encontradas valas comuns e corpos com sinais de tortura.

“Castigar pelo crime de agressão. Castigar pela violação das fronteiras e da integridade territorial. Um castigo que deve ser aplicado até que as fronteiras internacionalmente reconhecidas sejam restauradas”, afirmou.

Sobre as negociações de paz, Volodymyr Zelensky disse que qualquer menção russa a conversações seria apenas "uma tática de adiamento" e que as ações de Moscovo "falam mais alto do que as palavras".

"Eles falam sobre negociações, mas anunciam uma mobilização militar. Eles falam sobre negociações, mas anunciam pseudo-referendos nos territórios ocupados", acusou o presidente ucraniano.

Nos próximos dias, as forças pró-russas vão realizar referendos nas regiões de Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhia sobre a integração destes territórios na Federação Russa. As regiões em causa continuam a ser palco de confrontos entre as tropas russas e ucranianas, com avanços territoriais significativos por parte de Kiev nas últimas semanas.
PUB